segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Deveria ter sido contigo...

Lá passou outro fim de semana e lá se tentou dar mais um passeio, ter mais uma história que contar.Porque quando em beve chegue o Outono, estes passeios terminarao e entao no Inverno nao creio que tenha muitas aventuras, a nao ser para contar quantas quedas dei a fazer ski ou como sao bonitas as dunas cheias de neve. Mas bem, teoricamente é Verao aqui (o Verao mais fresco desde que têm registos) e ainda me posso permitir estes pequenos luxos, depois de uma semana de trabalho extenuante. E porquê este título perguntar-se-ao? Pois... apeteceu-me. Alguns de vocês sabem o porquê, outros apenas o supoem e outros nao fazem a menor ideia. Mas um mês de Agosto que deveria ter sido de pura felicidade tornou-se num mês de viragem de rumo. Mas, falemos deste fim de semana, gostaria de partilhar convosco o que consegui ver.


O destino deste fim de semana : Sleeping Bear Dunes National Lakeshore, um parque natural localizado no Norte do Michigan, a aproximadamente 300 milhas desde aqui. Até lá, a viagem toda feita ao longo do lago, com alguns vislumbres ocasionais do mesmo enquanto na autoestrada, e com melhores vistas quando já em estradas de menores dimensoes. Depois de uma sexta feira de sol, mas com ameaãs de chuva, às 7 da manha de Sábado, estava tudo molhado. Tinha chovido, tinhamos uma tempestade sobre as nossas cabeças a ameaçar desabar a qualquer momento e segundo as previsoes haveriam aguaceiros. Pois claro, aguaceiros. As primeiras horas foram feitas sob um imenso temporal, cuja única vantagem foi ter-me lavado o carro. Nao se via nada de jeito, o dia estava horrível e tampouco podiamos explorar todas as potencialidades do motor do meu carro.


A primeira paragem foi em Lundington. Parámos para esticar um pouco as pernas e tomar um cafézinho. E com infelizmente por aqui nao abundam os nossos cafés de aldeia, onde podemos tomar a nossa bica e comer o pastel de nata, tivemos que decidir entre umas quantas cadeias de comida rápida. Optámos entao pelo MacDonalds, que tem feito umas campanhas de pequenos almoços interessantes. Estava cheio. Lá pedimos o nosso pequeno almço, smoothie de banana e morango para mim, com paquecas e sentámo-nos. Passada a hora da promoçao... surpresa, ficou vazio. Para o Americano comum pouco importa comer bem. O que querem é comer muito e barato. E é o que conseguem neste tipo de sítio.

Tomando o pequeno almoço


De volta ao carro, continuámos o nosso caminho, agora com a chuva a dar umas tréguas ocasionais. Digo ocasionais, porque eram apenas breves momentos em que a mesma nos deixava sossegados. Chegámos a Manistee, uma cidade costeira, que me pareceu ser uma cidade sazonal, onde as pessoas têm a sua casa de férias. Fez-me lembrar Amity, do filme o Tubarao. A downtown era bonita, parecendo ter parado no tempo. E corra também ao largo de um rio, pois a cidade localiza-se em ambas as margens da foz do rio do mesmo nome. Uma marina bonita, com enormes barcos carregados de canas de pesca (Saudades...), com praia e farol no fim do molhe. Dizem que aqui as tempestades sao violentas... mas nao imagino uma tempestade violenta deixar de pé estes molhes americanos. Ou isso, ou estou mal habituado aos nossos enormes e resistentes molhes, capazes de suportar um Atlântico enraivecido.

Downtown de Manistee

Com a foz por trás

Entrada da marina

Praia
Tempo de decisoes: seguir pela estrada pricipal, mais rápida mas pelo interior, ou pela estrada do litoral? Optámos pela ultima opçao. E em boa hora que o fizemos. O litoral é algo de fabuloso, verde, carregado de árvores e dunas cobertas de vegetaçao. E casas a meia dúzia de passos da praia... quando for grande quero uma casa asim... os americanos sabem viver bem. Nao me importava nada de ter uma vida como a que têm estas pessoas... sitios bonitos, calmos e junto ao "mar". Quem sabe...
Vista da praia (com uma casa mesmo atrás de mim)
Mais umas milhas de carro e entrámos no parque. O parque corre ao longo de mais de 30 milhas de margem, pelo que entrámos pela entrada Sul. Essa mesma entrada ocorre perto de um rio de águas esverdeadas e bem bonitas, onde se podem alugar caiaques, canoas ou bóias, que segundo o nosso grau de destreza nos deixam a meio do caminho, no Platte Lake, ou directamente até à praia. Como nao era a nossa ideia original, era hora de almoço e os estômagos rugiam de fome, optámos por ir até à praia e deixar a canoagem para o dia seguinte. A praia, ou pelo menos a parte que visitámos, era mesmo na foz do rio. Tomámos o almoço e enquanto os meus companheiros de viagem descansavam, eu dava um pequeno passeio para fazer as inevitáveis fotos que tanto gosto.

Kayaques chegando à praia

Kayaques

Foz do rio

Vista Norte da praia

Cogumelos na areia?!

Sim, sao mosquitos...

Pequena lagoa numa das margens
Comemos, fomos até ao parque de campismo armar as tendas (menos mal que fomos rápido, já só tinham 4 lugares quando chegámos) e fomos dar um passeio pelo parque. De carro, bicicleta ou a pé, podia-se fazer o que chamam a "scenic drive", um passeio de umas quantas milhas dentro do parque, com miradouros e vários caminhos para se fazerem a pé.
Ponte de madeira

Miradouro

Miradouro
Mas o melhor estava para vir. As grandes dunas que desciam até ao lago, com perto de 30 metros de altura. Uma vertente pouco apta para gente com vertigens (e eu que padeço desse mal bem sofri nos primeiros minutos) e que é "tradiçao" descer. E, como tinhamos vino de tao longe, lá decidimos descer a duna. A descida muito fácil, mas a subida... difícil. Subir tal inclinaçao em areia, que se afunda sob os nossos pés (e eu que nao sou exactamente um peso pluma), nao é aquilo que se chama uma tarefa ligeira. Nesse dia, vi mais gente de quatro, a subir, que a duas pernas... No entanto, vale a pena. A vista, quer desde cima, baixo, ou ao longo do caminho é simplesmente fabulosa e se algum dia lá voltar, penso repetir.

Desde o miradouro


Desde o miradouro (impressionante, nao é?)


Nem o aviso me demoveu
A meio da descida

Descida


Descida
Fundo da duna

Fundo da duna

(eu e as fotogafias dos entardeceres...)

Outro miradouro, com outras dunas ao fundo

O parque de campismo era sossegado, com o básico e alguns "excessos". Os lugares eram bem delimitados, com espaço para o carro, uma mesa e bancos, assador e zona para as tendas. No entanto, nao tinha duches e as casas de banho... com fossas. O cheiro... nauseabundo (acho que há formas melhores de as fazer, mesmo sem saneamento básico). No entanto, serviu para o que queriamos: descansar ao fim do dia e recuperar forças. Estava também pegado à praia, uma praia linda, semi deserta e de àguas cristalinas, embora frias. Depois de todo um dia de esforço, nada melhor que um mergulho, ao por do sol e som uma tempestade com relampagos ao fundo para relaxar um pouco. Soube bem... muito, nem imaginam...

O nosso lugar

A praia

A praia

Águas cristalinas
No diaseguint, decidimos que era melhor voltarmos para casa. Tinhamos tido tempestade durante noite, chovia e havia nevoeiro. Nao era propriamente o clima mais animador para fazer uma viagem. 4 horas de conduçao, trouxeram-nos de volta a casa. Pelo caminho ainda vimos um sinal muito giro: "bear x-ing" (ponto de travessia de ursos) do qual infelizmente nao tenho fotos e parámos em Grand Rapids, outra cidade do Michigan. À chegada, uma temperatura superior a 30ºC e uma humidade de perto de 100%. Resultado: tenda na varanda a secar e uma sesta à beira da piscina e a apanhar sol...
Outras fotos: ao longo de todos estes passeios vou vendo animais e plantas que nao costumo ver naturalmente. Aqui ficam algumas amostras:












segunda-feira, 3 de agosto de 2009

¿O que faço?

Dado que já umas quantas vezes me perguntaram o que faço aqui, acho por bem fazer um pequeno esclarecimento. Bem, o que faço é: absolutamente nada. Parafraseando certas pessoas, ou um preguiçoso que poe os seus interesses pessoais à frente daqueles de quem me paga. Nao resisto a uma facadinha, embora saiba que os destinatários desta pequenita frase nao lêm este blog :) sim, sao aqueles que estao agora mesmo a imaginar.
Mas bem, mais seriamente, o que faço aqui é trabalhar com enzimas. E quais enzimas? Um dos mecanismos pelos quais as bactérias resistem à acçao nefasta dos antibióticos é através de enzimas que modificam o antibiótico, alterando a sua actividade, ou seja, inactivando-o. Aqui no laboratório trabalhamos com dois tipos de enzimas: acetiltransferases, que inactivam antibióticos que pertencem à família dos aminoglicosídeos e beta-lactamases, que hidrolisam penicilinas, cefalosporinas e carbapenemos, entre outros. Nomes estranhos, mas todos nós, ao longo da nossa vida, já os utilizámos, embora com outros nomes.
E a que nos dedicamos nós? Basicamente, tentamos colocar-nos um passo em frente das bactérias. É certo e sabido que assim que se começa a utilizar um antibiótico novo, rapidamente surgem resistências. Assim que, nos dedicamos a introduzir mutaçoes nos genes que codificam essas proteínas, tentando de algum modo prever aquilo que poderá acontecer na natureza. Umas vezes acerta-se, outra vezes nao, mas... fica-se a conhecer um pouco mais as enzimas e o modo como funcionam.
Entao, depois de termos os nossos mutantes, vem o passo seguinte: fazer com que a nossa amiga Escherichia coli, produza menos das proteínas que naturalmente produz e se dedique a produzir a nossa de uma forma exagerada, hiperexpressada. Umas vezes consegue-se à primeira, outras vezes é uma questao de diplomacia, e tentamos encontrar uma soluçao de consenso, que deixe quer a bactéria feliz que a nós produzindo um mínimo de enzima. Neste aspecto as bactérias sao como as mulheres: caprichosas (perdoem-me...).
Passo seguinte: purificar a proteína, a partir da mistura de proteínas que se encontra na célula. E como? Primeiro que tudo, utilizando uma arma desenvolvida pelo Departamento de Defesa dos EUA, numa cave recôndita do Pentágono: uma máquina de ultrasons. Esses ultrasons destroem a cobertura da bactéria, a parede e membrana celular, permitindo o acesso ao seu cobiçado interior. Depois, utilizando umas resinas especiais, há que proceder à separaçao das proteínas, com base na sua polaridade, tamanho ou carga eléctrica.
Uma vez obtida a proteína, vem aquela parte que teoricamente deveria ser a mais simples, mas que frequentemente se torna a mais complicada. Faço duas coisas: cinética enzimática, em que determino através de umas fórmulas matemáticas "manhosas" diversos parâmetros que influem na actividade da enzima sobre o antibiótico e cristalografia, onde, sujeitando a minha enzima a diversas condiçoes, tento obter cristais de proteína.
Findo tudo isto, (in)felizmente há que sentar-se, analisar os dados e escrever. Infelizmente, porque ainda nao cheguei a esta parte, mas felizmente, pois embora goste muito do trabalho de bancada, sentar-me para escrever nao é o que mais gosto.
E custa? É raro o dia em que nao há um problema, ou uma questao que se coloque ao longo do trabalho. Também nao há um dia em que passe menos de 10 horas a trabalhar, ocasionalmente também ao fim de semana (felizmente aqui sao só um par de horas). Mas... é bom podermos fazer aquilo que gostamos, num sítio onde nos proporcionam aquilo que necessitamos e onde "apenas" nos pedem que trabalhemos e apresentemos resultados. Que trabalhemos naquilo para o que fomos contratados, aquilo que sabemos fazer...

sábado, 1 de agosto de 2009

Chicago

Este sábado, nova aventura. Decidi ir conhecer o meu terceiro estado dentro dos EUA: Illinois, mais propriamente a cidade de Chicago. A aventura começou cedo, digamos que a partir do aeroporto de South Bend, onde deveria ter estado no dia anterior... mas isso sao outras histórias. Desta vez nao fui sozinho, consegui convencer (?) a minha colega Hilary e lá fomos nós. Desta vez, o meu de transporte foi o comboio: demora apenas duas horas e meia (perto de uma hora mais que de carro), mas pára na downtown, onde se encontra aquilo que mais interessa. Acaba por sair também mais barato, pois existem portagens e estacionamento que pagar em Chicago, enquanto que aqui paguei apenas 1 dólar pelo estacionamento, mais o bilhete.


O comboio, normalíssimo. Mas nada mais chegar dei-me conta de uma coisa: enquanto conheço comboios em vários países, e durante várias horas, em portugal apenas andei de comboio. Nao deixa de ser curiosa esta disparidade. Lá foi ele, quase cheio, a boa velocidade enquanto as redondezas eram campos de cultivo e árvores. Infelizmente, nada mais chegar a Michigan City, tornou-se bastante mais lento e a paisagem gradualmente mais tenebrosa. Para além disso, deixávamos um dia lindo em Mishawaka e pouco a pouco o céu azul era substítuido por umas nuvens ameaçadoras, carregadas de água e prontas a deixá-la sobre nós.

Tenebroso. Uma palavra forte. Mas nada mais adequado áquilo que vi. Os subúrbios de chicago... gaanto-vos, nao se querem perder, nem andar por lá, de dia ou de noite. Mas já nao me importava de ver umas quantas pessoas perdidas por lá... tudo o que de mau lhes pudesse passar seria demasiado bom para estes... Aquilo que vemos nos filmes? Pior. Casas decrépitas, em péssimo estado, com a pintura a descascar ou nalguns lados mesmo sem algumas tábuas. Jardins que mais pareciam aterros, tal era a quantidade de porcaria que lá se encontrava, metálico, restos de obras, madeiras... enfim, uma selvajaria. Casas lado a lado, demasiado perto, para mim, sem uma arquitectura constante. Campos de basquetebol vandalizados, nos quais cresciam matagais de ervas daninhas. Grupos de aspecto duvidoso sentados nas entradas das casas, a beber e a fumar. Incluso um noctívago, que sem forças pra entrar em casa aterrou a poucos metros da porta. Isto, em plena luz do dia. Acho os nossos bairros sociais algo mais apetecíveis que estes bairros... Calumet City, Gary... bairros que cresceram demasiado rápido e desordenadamente, repletos de gente de baixo nível cultural e económico. E nao penso estar a ser demasiado duro... tivesse palavras melhores para descrever o que vi, o que senti... e a história seria outra.

Mas bem, lá chegámos a Chicago, fim da linha (literalmente), à estaçao Millenium, que dava directamente para o parque do mesmo nome. Saindo, subindo uma escadas... e voilá, ali estava eu, em pleno Chicago. Mas bem, que representa Chicago nos EUA? É apenas a terceira maior cidade dos EUA e uma das mais importantes economica e culturalmente a nível global. É também donde saiu o "meu" acual presidente, Obama. Localiza-se na margem oriental do lago Michigan e é atravessada por um rio cujo nome nao me recordo.

Primeiro impacto... impressionante. Edifícios enormes, olhasse para onde olhasse (dizem que é o berço de nascimento dos arranha céus). De certa forma uma cidade tao parecida às nossas, mas ao mesmo tempo tao diferente... É difícil acha palavras que a descrevam, excepto que é decididamente um sítio ao qual quero voltar e ao qual já deveria ter ido há muito. O plano de acçao era perdermo-nos pela cidade, andar pelas suas ruas e pela marginal, incluso subir a uma das suas torres e ver a vista. Infelizmente o tempo nao ajudou, estava nublado, chuviscava e fazia vento (por algo lhe chamam a cidade ventosa).



À saída da estaçao

O passeio ao longo da margem levou-nos até ao molhe naval, onde uma alma iluminada construiu um parque de diversoes. Roda gigante, carrósseis, restaurantes, luzes e sons para adultos e crianças... Impossível nao se passar um bom tempo ali. Já antes tinha-mos passado pela marina, onde os barcos mais modestos custariam mais que o meu salário anual. Descobri também que ter um bom barco, significa conseguir ter umas belezas americanas no seu interior... vi dois barcos bem impressionantes (caros), onde qualquer uma das raparigas poderia ser portada de revista...


Vista do molhe naval

Sim, estes becos existem... e há-os mais tenebrosos. Imaginem de noite...



Auditório de centro de espectáculos


Edifício do Chicago Tribune





Estátua no molhe naval



Vista desde o molhe naval


Vista desde a avenida marítima







Demos mais umas voltas, fiquei mais umas vezes de boca aberta com alguns edifícios e dirigimo-nos para o Millenium Park. Antes, paragem para almoço num café italiano, onde consegui comer o primeiro pao decente em 4 meses (como voa o tempo... restam-me uns 20 meses por aqui). O parque... impressionante. Localizado entre uma das principais avenidas de Chicago e o lago, ocupa uma imensa área que vale uma fortuna. Ainda assim, preferiram lá construir o parque. Bem arranjado, cheio de flores, estátuas, fontes... vale mesmo a pena, embora, como se costuma dizer, parques há muitos.



Vista desde Lurie Gardens, Millenium Park



Jay Pritzker Pavillion, de Frank Gehry, Millenium Park


Cloud Gate de Anish Kapoor, Millenium Park


Chegando ao fim do dia, hora de voltar para casa. Contente por ter conhecido mais uma cidade, triste por ter apanhado um dia tao mau. Mas voltarei, afinal, está aqui ao lado. Haverá que ver os fabulosos museus, subir e almoçar numa das torres, ir a um bar de Jazz ou de Blues...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Kayak

E como nao só de praias se vive (embora quando o tempo está bom, seja o que mais apetece), existem outras actividades que se podem ir fazendo por aqui. Indiana e Michigan sao dois estados que se caracterizam por um sem número de pequenos lagos, rios e barragens, donde para além de se pescar (e muito) se pode fazer kayak e canoagem.

O fim de semana passado fomos fazer kayak, no rio que passa aqui ao lado: St. Joseph. Embora na parte da cidade seja pouco interessante, ladeado por casas, saindo da cidade ganha interesse, pela grande quantidade de vegetaçao que possui. É também um rio de grande caudal e largo, que a cerca de 100 kmts da foz possui zonas cuja largura é semelhante à do Mondego na praia fluvial, embora me tivesse parecido algo mais fundo.


Fomos às duas da tarde, estava um dia bonito e o sol abrasador. Protector, telemóveis chaves e câmaras dentro de sacos de plástico e lá fomos nós. Infelizmente a minha câmara ficou no carro: nao me arrisquei a levá-la, e ainda bem, porque fazendo palhaçadas quase que dou a volta ao kayak, que embora nao tenha virado meteu uns valentes litros de água dentro.

Primeir etapa contra corrente. Cansámo-nos no início, para depois podermos disfrutar na volta, sem termos necessidade de remar senao para dirigir um pouco as embarcaçoes. O percurso foi bastante bonito, muito verde, pássaros variados, tartarugas (!) e um belo ninho de vespas, daqueles se se costumam ver nos filmes. De vez em quando uma mansao com jardim até mesmo à margem e um ou outro barco de pescadores. Duas milhas para cada lado deram para perto de 3 horas de diversao.



Ninho de vespas
Dois contra um?! Isso nao vale!

O descanso do guerreiro ;)

domingo, 19 de julho de 2009

Silver Beach & Elkhart County 4-H Fair

Mais um fim de semana que passou, e no qual tentei conhecer um pouco mais do que me rodeia aqui no meio de nenhures. Este sábado foi bastante "produtivo", longo, cansativo, mas no fundo, divertido tendo valido a pena todas as horas, todos os quilómetros, perdao, milhas, que fiz. E pela primeira vez, fiz uma viagem com amigos, a primeira parte com 4 colegas do laboratório, sendo que para a segunda já só fomos 3 de nós.
Primeira paragem: Silver Beach, mais uma praia na margem oriental do Lago Michigan, um pouco mais a norte daquelas a que tenho ido. Diferenças desta praia? Primeiro que tudo nao está num parque natural, como aquelas que conheço. Esta está numa cidade, na margem sul da foz do rio St. Joseph, muito perto de Benton Harbor (que está precisamente na margem oposta). PAra além de termos sido atraídos pela praia, que de facto era bonita, nesse fim de semana decorria ainda o Venetian Festival, um festival caracterizado por fogos de artifício, um parque de diversoes em plena praia, actividades desportivas e muitas, muitas barraquinhas.

O dia estava bom, embora todas as previsoes apontassem para uma chuva, que (in)felizmente se veio a confirmar no Domingo. Mas para aquilo que nos importava, estava calor sol, mas um ventinho algo fresco, quando soprava. Passámos um bocadinho na praia, e enquanto Letícia e Hillary apanhavam sol, os "gaijos", eu, Pete e Sebástian, namorávamos uns jogos de voleibol na praia e tentávamos jogar. Infelizmente, apesar de muitas redes e equipas, todas estavam ali para a competiçao, pelo que tivéms que nos contentar com um passeio pelo molhe. Um passeio, que se veio a revelar acertado. Para além de nao haver demasiada gente e estar relativamente calmo, o certo é que o molhe nos permitiu ter uma vista bastante diferente da praia, quase como que se estivessemos num barco, para além de ter um farol bastante bonito. Além disso, deu para ver que se pescava, e bem. Vi uma miudinha de uns 10 anos tirar um peixe como tirei 1-2 em toda a minha vida... acho que vou ter mesmo que me dedicar à pesca, pelos vistos aquele era o tamanho normal para os peixes daqui! Curiosamente, o peixe foi devolvido à água. Aqui sao adeptos do "catch & release", uma modalidade de pesca que como o nome indica poupa a vida ao peixe. Em portugal, creio que se faz apenas em água doce e alguns malucos que mandam peixe ao mar quando pescam de barco (e muitos olhares de lado tive eu ao fazer isto...).


Praia, com divertimentos ao fundo


Farol



Praia, com vista para o farol
Depois do passeio, e como se aproximava a hora de almoço e os estômagos já se queixavam, decidimos ir até às barraquinhas, ver que se comia. Foi hora de novas experiências. Enquanto o resto se contentava com uma comida mais normal, eu e o Sebástian provávamos maçarocas de milho cozido com molho de manteiga, banana congelada com cobertura de chocolate e umas sandes que tinhamos levado. E devo dizer, que apesar de parecerem coisas estranhas, eram bem saborosas. As orelhas de elefante (uns fritos, semelhantes às nossas filhoses) ficariam para mais tarde.



Banana congelada com chocolate e amendoím (Sebástian e eu)



Maçaroca de milho com manteiga
Tempo de digerir o almoço, fomos ver as barraquinhas que nao eram de comida. Influenciado pelos muitos programas que vejo com festas no México, levei un quantos colares de contas, a ver se tinha direito a uns stip teases de americanas malucas e com uns copos a mais... nao tive sorte ;) palhaçadas aparte, era uma feira como aquelas que encontramos em Portugal, sendo que apenas se diferenciava naquilo que se podia comprar. Artesanato de madeira, vidro e metal e roupas dominavam, mas também vi umas garrafas derretidas (aqui derretem garrafas de coca cola, uísque para servir de tabuleiros) e duas barracas com uns biscoitos para animais que eram capazes de enganar o mais desatento. Demos uma volta pela vila, bastante bonita, com uns edifícios antigos, entrámos numa loja tipicamente americana, daquelas em que se pode encontrar de tudo (vi soldadinhos de plástico, pistolas de fulinantes e berlindes, coisas que há muitos anos nao via) e voltámos à praia, para apanhar um pouco mais de sol.



Biscoitos de cao

Estátuas de madeira ("Last smile", chamam-lhes)

Vista da entrada do porto



Vista da ponte de comboio rotativa


Simplesmente acho piada... :)



Para adultos, crianças e mascotes
Sobre as 6, decidimos voltar, tendo-nos separado no parque de estacionamento da universidade: enquanto uns iam ter com as suas famílias, outros continuariam passeio :)

Destino seguinte, a feira de Elkhart, uma feira agrícola enorme, tida como uma das mais importantes do estado. De forma deveras inteligente, e dado que pelo nome apontava que fosse em Elkhart, lá fomos nós à aventura, sem mapas. Primeiro, chegar a Elkhart, tarefa que deveria ter sido fácil, pois está aqui ao lado, revelou-se mais complicado que o esperado, pois várias estradas estavam cortadas e tivemos que fazer uns quantos desvios. Chegando ao destino, etupefactos. Como pode tamanha feira nao ter um cartaz que seja? Andámos, andámos e decidimos parar numa estaçao de serviço, para nos dizerem onde era a dita feira. O rapaz olha para nós de olhos arregalados e lá nos diz: nao era lá, era numa cide um "pouco" mais distante, e dá-nos as indicaçoes. Uma vez mais, sem mapa, lá vamos nós. As indicaçoes até que o tornavam fácil, nao contávamos era com mais 2 desvios, pelo que, quando já começávamos a desesperar, vimos o cartaz: "Fair express route", com uma seta bastante sugestiva. 5 minutos depois, lá estávamos nós.

Ao entrar, entrámos directamente por uns pavilhoes de patrocinadores, onde se poderia encontrar um pouco de tudo, Como nao era aquilo que nos tinha motivado a ir à feira (tinha visto no programa que haviam competiçoes de homem mais forte e de braço de ferro), decidimos ndar um pouco pelo recinto. Os motivos que nos tinham levado lá já tinham acabado, mas ainda assim havia muito que fazer e ver.

Curioso...

Fomos até aos pavilhoes dos animais, onde havia um pavilhao exclusivamente para coelhos, outro para aves, gado de carne, gado de leite, lamas, porcos, cavalos, cabras e ovelhas. Realmente animais podemos encontrá-los em todo o lado, mas algumas das raças que vi apenas conhecia dos meus tempos de estudante; tinha ouvido falar delas, eventualmente visto alguma foto mas nunca os tinha visto "frente a frente". O que mais me marcou foram os coelhos, desde coelhos de orelhas compridissimas com as quais se assustavam, a angorás, de tudo. Mas o que mais me marcou foi o "great danish", um coelho maior que a maioria dos gatos, e alguns caes, qu conheço. Nos cavalos destaque tamém para duas raças que nunca inha visto, a "Belgian" e a "Shire", cavalos de tiro, enormes, alguns dos quais de mais de uma tonelada. Simplesmente impressionantes.


Cavalo Belga, 1100 Kg

Continuando a nossa volta, as diversoes típicas da nossa feira popular: carrosséis, montanha russa, divertimentos malucos que nos dao a volta ao estômago, casas do terror, labirinto de espelhos... para além das inevitáveis barracas onde se podem ganhar prémios, desta vez já mais americanizadas: fazer uns lançamentos com bolas de basquetebol, lançar umas bolas de beisebol e acertar num alvo, sendo que a velocidade também contava, umas metrelhadoras para acertar nuns alvos, e outros mais normais, que metiam peixes com ímans, baloes e dardos... nada de especial.

Ainda vimos uma exposiçao de baloes de ar quente, muito curiosos e fogos de artificio lançados desde um aviao.


Baloes

Fogos de artifício

Para finalizar, comemos umas orelhas de elefante, muito saborosas (e calóricas) e empreendemos a nossa viagem de volta. Já pasava da meia noite e ninguém se lembrava como voltar... felizmente há sempre um agente da autoridade perto e prestável, que lá nos deu as indicaçoes necessárias :)



Orelhas de elefante

segunda-feira, 13 de julho de 2009

4 de Julho

É certo que este post vem um pouco tarde, mas é algo que queria escrever desde há algum tempo e por falta de oportunidade e de inspiraçao nao fiz. Agora aproveito que espero que uma malfadada coluna de cromatografia equlibre e se ponha com pH de gente e escrevo-o.
A semana passada celebrou-se o dia 4 de Julho, o dia da independência dos Estados Unidos. Como nao podia deixar de ser, decidiram celebrá-lo em grande. A minha experiência acaba por ser aplicável ao estado do Indiana, pois mais que um país, os EUA sao uma uniao de diversos países, cada qual com as suas leis e costumes. De que modo isto influencia o modo como se celebra o 4 de Julho? Pois em breve saberao.
Desde duas semanas antes da data, haviam anuncios constantes nos meios de comunicaçao social, para comida, bebida e, sobretudo, fogos de artifício. À medida que a data se aproximava, a sua frequência aumentava. Perto de minha casa, num armazém, fizeram uma grande venda de fogos de artifício. Curioso como sou, lá decidi ir bisbilhotar e ver como seria a mesma. Nada mais entrar... parecia que tinha entrado numa loja e crianças, com a diferença de os clientes serem adultos. E porque digo isto? Ao longo de várias bancadas aglomeravam-se caixas, com várias cores, feitios e tamanhos, correpondentes a fogos de artifício mais ou menos exuberantes, mais ou menos caros e todos com uns nomes muito engraçados (infelizmente nao me lembro deles e emora tivesse levado a máquina tive muita vergonha de tirar fotos... embora hoje me arrependa). Enfim, segundo o dinheiro que um se dispusesse a gastar, faria a festa de uma forma mais ou menos em grande. Isto, é o Estado do Indiana. Outros estados há em que é proibida a venda de fogos de artifício, assim como o seu lançamento e posse. Caso disso é Michigan, que faz fronteira a norte conosco. Curiosamente, nada mais passar a fronteira existe um imenso armazém de fogos de artifício, no lado de Indiana. Outro caso, é o estado do Ohio, que faz fronteira a este. Aí, podem-se comprar, mas quem os compra assina um termo de responsabilidade em como nao os vais lançar. Segundo me disseram, assinar assinam, mas cumprir nem pensar.
Chegado o dia, lá fui eu a uma festa. O chefe dos nossos laboratórios convidou toda a gente para ir a sua casa, jantar e lançar fogos de artifício. Nao sei quantos seríamos, mas estava quase tda a gente, muitas nacionalidades diferentes. Comida, muita e bastante saborosa; para além dos pratos frios, saladas e afins, fizeram também uma churrascada. Bebida, idem. Muita cerveja, toda importada, nenhuma americana (até hoje só bebi uma cerveja americana que merecesse usr esse nome) e vinhos. No final da refeiçao, o dono da casa fez questao de oferecer a todos um digestivo. É uma pessoa que gosta de viajar, tem amigos em todo o lado e... tem dinheiro. Assim, tinha uma garrafeira formidável, com licores, uísques e bebidas de muitos pontos do mundo, que apenas coincidiam numa coisa: na qualidade. Pelos vistos é comum ter-se um bar em casa, já nao é a primeira vez que o vejo aqui.
Com o cair da noite começaram-se a ouvir os foguetes. E lá se dirigiram uns quantos corajosos para a margem do lago lançar os foguetes, mais uns para a festa. Outros, como eu, limitaram-se a ficar na "esplanada", de cerveja na mao a tagarelar e a ver as vistas. Durante perto de uma hora toda a vizinhança, perto ou distante lançou os seus fogos. Se foi bonito? Pelo menos irritante. Gosto muito de fogos de artifício, quando sincronizados. Aqui, é certo que haviam muitos, de diferentes formas e cores, mas lançados sem nexo. Sim, é impressionante ver à volta tantas explosoes, chega a um ponto que entre som e fumo, parece que se está em plena guerra. Prefiro os nossos. No entanto, nao se pode dizer que tenha sido uma noite mal passada.
Nota final: ao fazer o seguro do carro, a rapariga que lá trabalhava perguntou-me e na europa também celebrávamos o 4 de julho.... Duh...

domingo, 12 de julho de 2009

Warren Dunes State Park



Mais um fim de semana, mais uma pequena aventura neste imenso país que sao os EUA. Desta vez, a primeira aventura, comigo ao volante, fora do estado do Indiana: fui até ao Michigan, ao parque natural das Dunas de Warren. Aproximadamente 1952 acres de areia, vegetaçao rasteira e árvores enormes, localizados ao longo de 3 milhas da margem oriental do lago Michigan.
Desta vez nao fui por autoestradas, mas por umas estradas que embora boas eram mais modestas. Mas as rectas aqui sao intermináveis, fazem-me lembrar de certa forma o nosso Alentejo. Com uma paisagem diferente, claro. Uma coisa algo desagradável foi ver o morticínio que ocorre nestas estradas. É época de cria dos mapaches e é frequente ver toda a família morta na estrada... é horrível ver a mae e as crias espalhadas ao longo de metros e metros na estrada...
Estava um excelente dia de praia, quente, com apenas uma ligeira brisa. Nao tantas pessoas como nas dunasda semana passada (pelos vistoas as outras, devido à proximidade a chicago, sao muito movimentadas). Como cheguei perto da hora de almoço, e estava mesmo muito calor, decidi ir dar primeiro um passeio e fazer o reconhecimento da zona, em vez de me estender a esturricar na areia. Deixo-vos algumas das fotos que fiz.


O ponto mais alto das dunas: Tower Hill, com 74 metros de altura


Mais um barquinho... sao baratos, muita gente os tem


Dunas

Caminhando para Norte

Dado o passeio, tempo para apanhar um pouco de sol, comer qualquer coisa ler o meu livrinho. Dado que ia sozinho consegui uma clareira perto da água, e basicamente com casais mais velhos à volta, sem crianças e grupos ruidosos. A verdade é que se estava bem, e à medida que a tarde se aproximava do seu final a praia ficou maravilhosamente calma. Até que, mais uma vez, vem um grande grupo que decide assentar arraiais mesmo atrás de mim (ou seja, entre mim e a água). Tanto respeitaram que ao fim de 5 minutos tinha sombra nos pés, pelo que decidi deslocar-me para longe deles. Está decidido, pelo menos na praia, os americano comportam-se como verdadeiros imbecis.

Tinha pensado ver o por do sol, e fazer umas fotos. Continuo com a minha paixao por pores do sol, e o certo é que desde que cheguei nunca mais os vi. Mas o sol aqui poe-se perto das 10 da noite e na verdade nao me sentia com coragem para fazer uma viagem nocturna por estradas que nao conheço. Assim que fui dar uma volta pelas dunas maiores, fazer mais uma fotos e um video, que deixo aqui. Muito bonito, calmo, com uma vista priveligiada sobre a praia. Mas custou subir, compreendo agora porque o passam tao mal as pessoas nas dunas do deserto...

Praia ao fim da tarde



Vista lateral de Tower Hill


A praia desde uma duna alta

Resumindo, recomendado. Foi um dia bem passado, calmo e sossegado, onde pelo menos se tentou relaxar. Ansioso por o ver no Inverno... deve de ser fabuloso...