segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Mammoth Cave National Park


Hum, está um dia tao bonito... onde irei eu? Assim poderia ter começado a aventura deste fim de semana, mas nao foi tao impulsiva. Segundo a maioria das pessoas, foi de loucos, sobretudo tendo sido decidida na quarta feira, para ter lugar no sábado... Mas a vida é assim, se nao aproveitamos enquanto podemos... vamos aproveitar quando estiver tudo coberto de neve? Andava com vontade de acampar, e depois de uma tentativa falhada de ir à península superior do michigan (neve e muito frio), andava a ver se apanhava uma aberta. Este fim de semana havia tempo e nada que fazer, relacionado com o trabalho. Depois de uma rápida incursao ao prognóstico do tempo, decidimos ir para sul: a norte chuva e frio, a este idem, oeste, tinha lá estado na semana passada. O sul afigurou-se assim como uma boa opçao, com temperaturas entre os 70 e 40. E para onde? Andava a namorar uns quantos sítios, sendo um deles o complexo de grutas de Mammoth, no estado de Kentucky. Perto de 600 km, uma viagem de 6-7 horas. Promessa de diversao, coisas bonitas que ver, mas também muito cansaço. Reunido o núcleo duro, decidimos sair no sábado, às 3:30 da manha, para aproveitarmos ao máximo o dia.

Às 3:30 da manha, lá estávamos todos à porta de minha casa. Colocadas as tendas, sacos cama e comida, postas as coordenadas do Parque no GPS, lá abalámos nós. Meio dormidos ainda, noite escura e com umas quantas estrelas a iluminar o caminho. Depois uma paragem estratégica para tomar um café no starbucks, visitar a casa de banho e meter gasolina, lá chegámos ao parque. 6 horas e meia de viagem depois, cansados mas ao mesmo tempo animados com a promessa de uma bela aventura e com um dia lindo.


Mas... que é a gruta de Mammoth? Basicamente, a maior gruta do planeta, com 550 km até à data descobertos, mas com a suspeita de muitos mais por descobrir. Assentes numa zona de cálcário, foram escavadas, ao longo de milhares de anos, diversas grutas. Esta gruta em particular, é com um túnel gigante. Poucas estalactites e estalagmites, pelo facto de ter muito pouca infiltraçao de água. mas enormes avenidas, largas e baixas ou altas e estreitas. Um pouco de tudo, e que espero que disfrutem ao longo das próximas fotografias.

Qual o plano? Basicamente fazer duas excursoes, uma de duas milhas no sábado e outra de 4 no domingo. A primeira, dava pelo nome de "Historic Tour", e pretendia fazer uma pequena introduçao à gruta, assim como explicar um pouco da sua história. A entrada fez-se pela "Historic entrance", o local onde no final do século 19, perseguindo um urso, um caçador redescobriu a gruta. E digo redescobriu, porque índios e outros povos anteriores já a conheciam e de uma ou outra forma tinham utilizado.

À hora marcada, lá estávamos nós onde nos tinham mandado. Dado que é um parque nacional, sobre juridisçao federal, os guardas nao sao nada mais que os famosos rangers. Chamou-nos a todos para uma breve e longa introduçao e aviso: de uma forma mais ou menos descontraída, provavelmente para evitar qualquer acusaçao de discriminaçao (e subsequente processo judicial, coisa que os americanos ADORAM fazer), avisou das dificuldades que a caverna apresentava, pelo que pessoas com incapacidades físicas nao deveriam ir, assim como aquelas com uns quilitos a mais, dado que algumas passagens seriam (e de facto eram) bastante estreitas. Advertiu-nos também de que era totalmente proibido tocar fosse onde fosse. Iríamos ter bastantes oportunidades de tocar e polir a parede quando chegássemos ao "Fat man's misery". Risos... mal sabiam alguns...

Feita a introduçao, lá descemos todos os degraus. Corria um vento fresco desde a gruta: a diferença de temperaturas entre gruta e exterior é responsável pelo surgir de uma corrente de ar, embora curiosamente a temperatura dentro da gruta seja a mesma desde que a começaram a registar, há 30 anos atrás. Nada mais entrarmos, envolveu-nos uma atmosfera fresca, húmida, e com um cheiro a gruta (se é que esse cheiro existe). Um longo túnel, gradualmente mais escuro e eis que chegamos ao primeiro ponto de paragem: uma escavaçao, com peneiras, degraus... o local onde na guerra civil os confederados vinham lavar o solo da gruta para retirar os sais, que mais tarde seriam usados no fabrico de pólvora. Devidamente protegidos, viam-se objectos com séculos de existência e história, no mesmo local e posiçao onde os prévios donos os tinham deixado.

Zona da "mina"

Troncos ocos, para conduçao da água de lavagem

Ao longo dos anos a gruta foi sendo gradualmente descoberta, sobretudo por um escravo de nome Stephen Bishop. Amado de torchas e quiçá de alguma lanterna de óleo, descobriu por ele perto de 20 milhas da gruta. Cientes das potencialidades da gruta, os sucessivos donos da mesma alugavam-na, para visitas, concertos, casamentos... toda e qualquer actividade que lhes rendesse algum dinheiro. Ao longo do túnel, era impossível ficar a olhar impávido: apesar de ser um túnel nu, despido de qualquer ornamento geológico, era impressionante olhar para ele. Volta e meia, alguns grafitis históricos, com séculos de existência. Até o parque passar para o governo, os donos permitiam aos visitantes escrever a carvao ou com instrumentos afiados os seus nomes nas paredes, para de alguma forma os fazer voltar mais tarde, para mostrar à família e amigos, assim como, obviamente, os fazer feliz.

Assinatura de 1879

Descida para nível inferior

Um dos "poços sem fundo"

Apesar de até este ponto a viagem ter decorrido sem incidentes de particular relevo, eis que chegávamos ao famoso "Fat man's misery". Veríamos em breve que o aviso do ranger nao teria sido em vao: um túnel sinuoso, baixo e com muito pouco espaço. Numa palavra: claustrofóbico, mas muito, muito divertido. Tinhamos que mover as pernas de uma forma que nao mandássemos caneladas à parte de baixo do túnel, inclinar o corpo pelas paredes e evitar polir o tecto com o nosso couro cabeludo e ganhar algum que outro "galo" :)



Vêm, nao brincava quando falei das bandas... esta deu um concerto no local onde tirei a fotografia há 159 anos atrás!

Outro dos avisos que o ranger nos fez... iríamos ter algo mais de 400 degraus... estou certo que algumas pessoas estiveram perto de ter algum ataque cardíaco

Um dos poços

Duas horas depois... de volta ao ponto onde começáramos. Embora tivesse sido bonito, parti com uma ligeira sensaçao de desilusao... nao me tinha convencido completamente, e tinha sido demasiado rápido. Nao tive oportunidade para fazer boas fotografias, a grande maioria tremida ou demasiado iluminada :(

Tempo para dar um pequeno passeio à volta da entrada e do centro de visitantes e depois voltar ao parque de campismo. Foi possível ver alguma fauna e flora típicas da regiao e ver o bonitas que as colinas estavam... carregadas de árvores nuas, já sem folhas, numa paisagem dominada pelos tons vermelhos e castanhos.

Pica-pau (?)

Um esquilo cinzento a fazer o seu ninho

Veados... haviam muitos e sem medo das pessoas. Pelos vistos sao visitantes frequentes dos parques de estacionamento, onde vao comer a verde, tenra, deliciosa e pouco nutritiva relva...

Comboio antigo

Uma caravana. Aqui é frequente comprar-se antigos autocarros escolares e modificá-los, transformando-os quer em caravanas quer em autocarros para festas. Este vi-o no nosso parque de campismo, acabadinho de chegar... tenho que confessar que fiquei com alguma inveja.

As nossas tendas

Como nao podia deixar de ser, fizemos uma fogueira (os parques estao preparados para as fazer). Estava uma noite bastante fria (+/- 5ºC), pelo que soube de maravilha. Com umas cervejas e diversas porcarias, lá nos fomos entretendo até à hora de jantar. Salsichas na brasa e... marshmallows! Desde este fim de semana adicionei mais um petisco ao meu repertório de receitas :) estaladiços por fora e quase líquidos por dentro... uma maravilha

O mestre-cozinheiro (modéstia aparte)

Depois de uma bela noite de sono, lá acordámos, comemos e desmontámos as tendas. Tinhamos uma excursao duas horas depois, pelo que decidimos ir dar um pequeno passeio pelo parque. Uma das coisas a ver e fazer (que infelizmente nao nos deu tempo) era cruzar o Rio Verde no ferry. E que ferry... nao deixa de ser caricato ver um ferry num rio tao pequeno e para tao curta distância, mas o certo é que dá um toque pitoresco e muito bonito ao parque. Mais que uma ponte.

Rio Verde



Onze da manha e horas de fazer a nova excursao: "Great Avenue Tour". Uma viagem 4 horas, perto de 6 km sob a terra. As expectativas eram altas e garanto, nao foram defraudadas, quanto muito, superadas. 4 horas a caminhar, por túneis das mais diversas formas e feitios, acabando numa sala com estalactites e estalagmites.

Entrada Carmichael

Túnel

Mais uma assinatura antiga... uma dedicatória ao escravo guia da excursao

Hora de almoço... e adivinhem? Havia um bar/restaurante perto de 100 metros debaixo de terra... vá lá, nao era um MAcDonals!


Túnel no "Grand Canyon" - paredes estreitas, altas e sinuosas... o solo aqui é em camadas, e dependendo de cada uma, teriam sido mais ou menos gastas, nao sendo a parede lisa e constante

Ainda no Grand Canyon

Uma fotografia famosa, numa das paragens... notam a forma do "fantasma"?

Túnel

Frozen niagara

Mais estalactites e estalagmites...

Bonito, mas continuo a pensar que as nossas grutas de Mira d'Aire sao bem mais bonitas

Passadas as 4 horas, lá saímos à superfície. No final Para aproveitar o que restava de dia, e já que tínhamos feito uma viagem tao grande, decidimos ir andar. Haviam uns quantos trilhos à volta do centro de visitantes, relativamente curtos, e lá nos lançámos à descoberta.






Rio Verde

Ponte sobre o Rio Styx


"Nascente" do Rio Styx (rio subterrâneo)




Nascente de outro rio subterrâneo



Se a partir do 3º km da excursao já coxeava, devido a um mal jeito que dei no joelho no ginásio, há umas semana, no final do passeio já só queria arrancar o joelho à dentada, tais eram as dores. No entanto, valeu a pena. Valeu a pena ter conduzido 12 horas, ter dormido pouco e mal. A gruta é espectacular, e merece sem dúvida uma visita. Talvez para o ano volte, há excursoes que nao fiz e passeios que nao dei...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Fim de semana em Chicago

Sim, hoje estou preguiçoso... 3 semanas sem dizer ai nem ui e num mesmo dia 2 posts? :) Aproveitando um fim de semana fresco mas lindo, decidimos ir até Chicago. O Inverno está à porta, e quando começar a fazer frio, as viagens a Chicago serao para ir aos museus, nao para andar a apanhar ar na rua. Saímos às 9.30, tomando o comboio. Vale a pena ir de comboi,o sai mais barato, evita-se o caótico trânsito em Chicago e... sai mais barato. Se nos queixamos dos preços de aparcamento em Portugal, aqui sao um tanto quanto mais caros. Depois de uma viagem de duas horas e meia, lá chegámos a Chicago, saindo bem no centro da cidade, no famoso Millenium Park. O plano? Simplesmente andar. Chicago é uma cidade que culturalmente tem muito que oferecer, mas com um dia tao bonito, quem quer cultura? Simplesmente perder-nos pelas ruas de Chicago seria suficiente para passar o dia. E que bem passado...

Uma foto actual, já sem os caracóis do último ano

Uma estaçao de metro... aéreo

Detalhe de edifício

Janelas do edifício do Chicago Tribune

"American Gothic"

Nao via umas couves destas desde uma bela passagem de ano no norte, há muitos, muitos anos atrás, com as loiras...
Uma antiga torre de água, uma das poucas sobreviventes de um violento incêndio que assolou chicago em 1871

Escultura num parque

John Hancock Center Tower, com 459 m de altura

E foi esta a primeira paragem a sério depois de começarmos a andar. Tomado o café no starbucks e feitas as fotos da praxe ao longo de Michigan Avenue, a emblemática rua comercial de Chicago, decidimos subir. Existe um miradouro no 94º andar e o elevador demora apenas 40 segundos entre que fecha as portas até que as abre de novo... a subida deixa uma sensaçao de enjoo no estômago e os ouvidos também apresentam as suas queixas. No entanto, uma vez chegados, a imagem é impressionante, com uma vista sobre a área metropolitana de Chicago. Infelizmente, chegámos antes do meio dia solar, o que significa que numa das vistas apanhávamos o sol de frente. E uma vez mais infelizmente, porque era a mais bonita, sobre os arranha céus de Chicago.

Vista Este

Reflexos no Lago Michigan

A margem do Lago Michigan, vista Norte

As casas na avenida que corre ao longo do lago sao das mais caras em Chicago, e as mais finas. Nao há melhor que ter um endereço postal com o seu nome. Vi anúncios de casas com 3 quartos desde.... 1300000 dólares... ¡¡DESDE!!

Vista Oeste
Vista Sul

Margem do lago, vista Sul

Vista Sul

E como se nao bastasse a esta gente viver nestes belos edifícios ao longo do lago, os felizes donos dos últimos andares ainda o disfrutam com mais ganas. Desde piscinas (!), a espreguiçadeiras e jardins, há um pouco de tudo nos terraços dos edifícios.



Sim, os edifícios sao enormes, mas também bonitos. Há edifícios de linhas rectas, semelhantes a caixotes com janelas. Mas também os há desenhados por grandes nomes da arquitectura local e mundial, bem bonitos e que merecem ser vistos.

Trump International Tower

Chicago Tribune



Sei que este edifício nao é bonito... mas notam com as paredes nao sao rectas, antes curvando ligeiramente?



Fiquei com pena de nao ter o quarto edifício nesta foto... talvz outro dia, noutro local o consiga...

A paragem "final" foi no Millenium Park. Descansar um pouco e passear nele. É um parque muito agradável e moderno.


Estas fotos nao eram estáveis, mas dinâmicas... as caras moviam-se e sorriam...


Vista desde o parque

Caía a noite e acendiam-se as luzes. Era tempo de procurar um bar, picar e tomar algo. Acabámos no Miller Pub, aparentemente um bar famoso em Chicago. O interior antigo, mas deveras acolhedor, com as paredes forradas de quadros e fotografias assinadas... Humphrey Bogart, Marilyn Monroe partilharam o mesmo local que eu... (http://www.millerspub.com/index.php)

Findo o jantar, tempo para mais um passeio pelas ruas de Chicago, aproveitando a noite e a hora que faltava para o último comboio do dia...



Um curioso termómetro



Willis Tower (a antiga Sears Tower)