quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Uma bela temperatura

Hoje é o dia (e provavelmente nao o último) em que entrar num congelador pode supor um alívio para a maioria das pessoas. E porque digo isto? Porque o inverno (e a neve) chegaram definitivamente. E porque neste preciso momento, 8:43 da manha, estao, "apenas" - 17ºC. Isto se nao contarmos com o vento, porque aí, a sensaçao térmica pode descer até aos -24ºC. Sim, faz frio e nao é pouco, é... demasiado. Mas faz tudo parte daquele processo de aquisiçao de novas experiências. Se há 3 anos atrás procurava a melhor posiçao para nao me queimar ao entrar no carro e conduzia com as pontas dos dedos, hoje procuro a melhor forma de cobrir todo o corpo para nao apanhar demasiado frio. Vai ser uma romaria de manhas/noites em que ao chegar ao carro terei que bater ao longo da porta, para quebrar o gelo que as cola, isto apenas para tirar o meu novo melhor amigo e me dedicar a raspar o gelos dos vidros e depois esperar uns 5 minutos dentro do carro até que este aqueça um pouco, antes de o meter em marcha... E o que me dizem, é que isto nao é o pior... Janeiro sim, vou ver o Inverno an sua plenitude.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Neve

Chegou... e pelos vistos veio para ficar... tudo muito bonito, mas as temperaturas é que já nao... hoje estao -2ºC, para daqui a dois dias esperamos -10ºC... aqui ficam umas fotos do campus de Notre Dame









terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Football

Caiu a, há muito esperada, bomba em Notre Dame: Charlie Weis, o treinador da equipa de futebol americano durante os últimos anos, caiu em desgraça e foi despedido. Não se esperava outra coisa depois de uma época com 6 vitórias e 6 derrotas. Mas porque abro eu este post com a notícia do despedimento do treinador? Porque embora já tivesse tido uma ideia, só nos últimos dias tive a verdadeira noção da grandeza e importância de Notre Dame no futebol americano universitário. Apesar do medíocre rendimento da equipa na última época, e de não ganhar um campeonato há mais de 20 anos, o despedimento tem tido uma imensa repercussão a nível nacional.

Mas bem, para além das notícias, tive a oportunidade de presenciar ao vivo um jogo de Notre Dame. Foi há duas semanas, frente a Connecticut, uma equipa bastante mal classificada e teoricamente inferior a ND. Com os bilhetes comprados com um mês de antecedência, o dia amanheceu bonito. Tivemos sorte, porque nos últimos anos, à data do jogo, já costuma haver neve. Estava bonito, mas fresquito. Ainda assim, com a animação, apenas sentíamos o frio :)

Os dias de futebol aqui nao se limitam a ir ver o jogo, há toda uma série de rituais. Desde as 8 da manha, as pessoas começam-se a reunir para o chamado "tailgate", que não é mais que montar o estaminé e comer e beber até à hora do jogo. Se em Portugal teríamos as bifanas e o garrafão de tinto, aqui têm a cerveja, salsichas e até pizzas! É incrível o artilhados que vêm, alguns até com geradores para alimentar o sistema de som. É toda uma festa... O local designado para pelintras como nós (que "só" pagam 74 dólares por bilhete) foi Whitefield, perto da Universidade. Quem compra os melhores bilhetes e tem bilhetes de época, pode parar nos estacionamentos do campus, muito mais perto. De todos modos, deve ser das poucas vezes que se pode beber álcool na via pública e sem pudor nenhum...

O nosso veículo, preparando para o tailgate

Fotos aleatórias
Mais fotos (vejam o detalhe do gerador e colunas)

O grupo... Erin, eu, Hilary, Edward e Letícia (falta o fotógrafo Sebástian)

Um cabeça de queijo ihih

Pouco antes do começo do jogo, lá nos dirigimos nós para o estádio. Em todas as entradas, tinham estas curiosas linhas de convivência... e curiosamente, o pessoal até se comportou bastante bem ao longo do dia, se bem que me tenham dito que em casos de maior rivalidade, como frente aos nossos vizinhos de Michigan,



A entrada no estádio

Ao entrar na nossa secçao, a vista foi impressionante. O estádio visto de fora parece muito mais pequeno do que é na realidade, pois o relvado está a um nível inferior ao da rua. Mas uma vez dentro... e com 80000 almas... a imagem era espectacular. Era o último jogo da época aqui, pelo que o ritual pré-jogo foi ligeiramente diferente. Os jogadores seniors (finalistas) foram apresentados e fizeram a foto da praxe com a família, que também foi apresentada, equipados e no meio do campo. As bandas tocavam, o público gritava... a animaçao era constante e assim se manteve até ao apito final.

Pormenor da bancada



Foto do estádio

Depois de umas quantas jogadas, eis que ND faz o primeiro touchdown. O público enlouquece e vejo algo que tinha ouvido falar, mas nunca tinha visto. Nao me lembro do nome, mas consiste em fazer "flexões" com uma pessoa, no ar. Quanto mais pontos se fazem, mais flexoes. É mais comum na zona dos estudantes, mas ainda assim alguns valente fizeram-no na nossa secçao, e podem ver o vídeo abaixo:



Passadas umas duas horas e dois quartos, intervalo. Apesar de cada quarto demorar em teoria 15 minutos, sao normalmente 15 minutos de jogo efectivo, pelo que um jogo pode demorar muitas horas. Nesta altura aproveitámos para fotos, comer qualquer coisa e ver as corografias das bandas, que permitam-me que diga, sao verdadeiramente espectaculares.

Eu e Erin




Secçao dos estudantes

As Cheerleaders, nao sei como nao se matam...



A banda da equipa rival
A "nossa" banda



A banda, fazendo o logótipo de Notre Dame (infelizmente, desde este ângulo nao se percebe muito bem o ND)



A foto da praxe :)

Ao fim de uma meia hora, reentram as equipas e recomeça o jogo. O resultado final, mau para Notre Dame, que averbou mais uma derrota. No entanto, pode-se dizer que foi um dia em cheio, com muita animaçao, rodeado de amigos. Depois disto, nao sei se voltarei a encarar um jogo do nosso futebol com os mesmos olhos. Animaçao, desportivismo... aquilo que deveríamos ter e que cada vez menos temos. Quem sabe, talvez um dia volte a ser divertido ir ao futebol :)







Um instrumento curioso, que serve para medir jardas (distância) em caso de dúvida

O resultado final



E assim acabou...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Mammoth Cave National Park


Hum, está um dia tao bonito... onde irei eu? Assim poderia ter começado a aventura deste fim de semana, mas nao foi tao impulsiva. Segundo a maioria das pessoas, foi de loucos, sobretudo tendo sido decidida na quarta feira, para ter lugar no sábado... Mas a vida é assim, se nao aproveitamos enquanto podemos... vamos aproveitar quando estiver tudo coberto de neve? Andava com vontade de acampar, e depois de uma tentativa falhada de ir à península superior do michigan (neve e muito frio), andava a ver se apanhava uma aberta. Este fim de semana havia tempo e nada que fazer, relacionado com o trabalho. Depois de uma rápida incursao ao prognóstico do tempo, decidimos ir para sul: a norte chuva e frio, a este idem, oeste, tinha lá estado na semana passada. O sul afigurou-se assim como uma boa opçao, com temperaturas entre os 70 e 40. E para onde? Andava a namorar uns quantos sítios, sendo um deles o complexo de grutas de Mammoth, no estado de Kentucky. Perto de 600 km, uma viagem de 6-7 horas. Promessa de diversao, coisas bonitas que ver, mas também muito cansaço. Reunido o núcleo duro, decidimos sair no sábado, às 3:30 da manha, para aproveitarmos ao máximo o dia.

Às 3:30 da manha, lá estávamos todos à porta de minha casa. Colocadas as tendas, sacos cama e comida, postas as coordenadas do Parque no GPS, lá abalámos nós. Meio dormidos ainda, noite escura e com umas quantas estrelas a iluminar o caminho. Depois uma paragem estratégica para tomar um café no starbucks, visitar a casa de banho e meter gasolina, lá chegámos ao parque. 6 horas e meia de viagem depois, cansados mas ao mesmo tempo animados com a promessa de uma bela aventura e com um dia lindo.


Mas... que é a gruta de Mammoth? Basicamente, a maior gruta do planeta, com 550 km até à data descobertos, mas com a suspeita de muitos mais por descobrir. Assentes numa zona de cálcário, foram escavadas, ao longo de milhares de anos, diversas grutas. Esta gruta em particular, é com um túnel gigante. Poucas estalactites e estalagmites, pelo facto de ter muito pouca infiltraçao de água. mas enormes avenidas, largas e baixas ou altas e estreitas. Um pouco de tudo, e que espero que disfrutem ao longo das próximas fotografias.

Qual o plano? Basicamente fazer duas excursoes, uma de duas milhas no sábado e outra de 4 no domingo. A primeira, dava pelo nome de "Historic Tour", e pretendia fazer uma pequena introduçao à gruta, assim como explicar um pouco da sua história. A entrada fez-se pela "Historic entrance", o local onde no final do século 19, perseguindo um urso, um caçador redescobriu a gruta. E digo redescobriu, porque índios e outros povos anteriores já a conheciam e de uma ou outra forma tinham utilizado.

À hora marcada, lá estávamos nós onde nos tinham mandado. Dado que é um parque nacional, sobre juridisçao federal, os guardas nao sao nada mais que os famosos rangers. Chamou-nos a todos para uma breve e longa introduçao e aviso: de uma forma mais ou menos descontraída, provavelmente para evitar qualquer acusaçao de discriminaçao (e subsequente processo judicial, coisa que os americanos ADORAM fazer), avisou das dificuldades que a caverna apresentava, pelo que pessoas com incapacidades físicas nao deveriam ir, assim como aquelas com uns quilitos a mais, dado que algumas passagens seriam (e de facto eram) bastante estreitas. Advertiu-nos também de que era totalmente proibido tocar fosse onde fosse. Iríamos ter bastantes oportunidades de tocar e polir a parede quando chegássemos ao "Fat man's misery". Risos... mal sabiam alguns...

Feita a introduçao, lá descemos todos os degraus. Corria um vento fresco desde a gruta: a diferença de temperaturas entre gruta e exterior é responsável pelo surgir de uma corrente de ar, embora curiosamente a temperatura dentro da gruta seja a mesma desde que a começaram a registar, há 30 anos atrás. Nada mais entrarmos, envolveu-nos uma atmosfera fresca, húmida, e com um cheiro a gruta (se é que esse cheiro existe). Um longo túnel, gradualmente mais escuro e eis que chegamos ao primeiro ponto de paragem: uma escavaçao, com peneiras, degraus... o local onde na guerra civil os confederados vinham lavar o solo da gruta para retirar os sais, que mais tarde seriam usados no fabrico de pólvora. Devidamente protegidos, viam-se objectos com séculos de existência e história, no mesmo local e posiçao onde os prévios donos os tinham deixado.

Zona da "mina"

Troncos ocos, para conduçao da água de lavagem

Ao longo dos anos a gruta foi sendo gradualmente descoberta, sobretudo por um escravo de nome Stephen Bishop. Amado de torchas e quiçá de alguma lanterna de óleo, descobriu por ele perto de 20 milhas da gruta. Cientes das potencialidades da gruta, os sucessivos donos da mesma alugavam-na, para visitas, concertos, casamentos... toda e qualquer actividade que lhes rendesse algum dinheiro. Ao longo do túnel, era impossível ficar a olhar impávido: apesar de ser um túnel nu, despido de qualquer ornamento geológico, era impressionante olhar para ele. Volta e meia, alguns grafitis históricos, com séculos de existência. Até o parque passar para o governo, os donos permitiam aos visitantes escrever a carvao ou com instrumentos afiados os seus nomes nas paredes, para de alguma forma os fazer voltar mais tarde, para mostrar à família e amigos, assim como, obviamente, os fazer feliz.

Assinatura de 1879

Descida para nível inferior

Um dos "poços sem fundo"

Apesar de até este ponto a viagem ter decorrido sem incidentes de particular relevo, eis que chegávamos ao famoso "Fat man's misery". Veríamos em breve que o aviso do ranger nao teria sido em vao: um túnel sinuoso, baixo e com muito pouco espaço. Numa palavra: claustrofóbico, mas muito, muito divertido. Tinhamos que mover as pernas de uma forma que nao mandássemos caneladas à parte de baixo do túnel, inclinar o corpo pelas paredes e evitar polir o tecto com o nosso couro cabeludo e ganhar algum que outro "galo" :)



Vêm, nao brincava quando falei das bandas... esta deu um concerto no local onde tirei a fotografia há 159 anos atrás!

Outro dos avisos que o ranger nos fez... iríamos ter algo mais de 400 degraus... estou certo que algumas pessoas estiveram perto de ter algum ataque cardíaco

Um dos poços

Duas horas depois... de volta ao ponto onde começáramos. Embora tivesse sido bonito, parti com uma ligeira sensaçao de desilusao... nao me tinha convencido completamente, e tinha sido demasiado rápido. Nao tive oportunidade para fazer boas fotografias, a grande maioria tremida ou demasiado iluminada :(

Tempo para dar um pequeno passeio à volta da entrada e do centro de visitantes e depois voltar ao parque de campismo. Foi possível ver alguma fauna e flora típicas da regiao e ver o bonitas que as colinas estavam... carregadas de árvores nuas, já sem folhas, numa paisagem dominada pelos tons vermelhos e castanhos.

Pica-pau (?)

Um esquilo cinzento a fazer o seu ninho

Veados... haviam muitos e sem medo das pessoas. Pelos vistos sao visitantes frequentes dos parques de estacionamento, onde vao comer a verde, tenra, deliciosa e pouco nutritiva relva...

Comboio antigo

Uma caravana. Aqui é frequente comprar-se antigos autocarros escolares e modificá-los, transformando-os quer em caravanas quer em autocarros para festas. Este vi-o no nosso parque de campismo, acabadinho de chegar... tenho que confessar que fiquei com alguma inveja.

As nossas tendas

Como nao podia deixar de ser, fizemos uma fogueira (os parques estao preparados para as fazer). Estava uma noite bastante fria (+/- 5ºC), pelo que soube de maravilha. Com umas cervejas e diversas porcarias, lá nos fomos entretendo até à hora de jantar. Salsichas na brasa e... marshmallows! Desde este fim de semana adicionei mais um petisco ao meu repertório de receitas :) estaladiços por fora e quase líquidos por dentro... uma maravilha

O mestre-cozinheiro (modéstia aparte)

Depois de uma bela noite de sono, lá acordámos, comemos e desmontámos as tendas. Tinhamos uma excursao duas horas depois, pelo que decidimos ir dar um pequeno passeio pelo parque. Uma das coisas a ver e fazer (que infelizmente nao nos deu tempo) era cruzar o Rio Verde no ferry. E que ferry... nao deixa de ser caricato ver um ferry num rio tao pequeno e para tao curta distância, mas o certo é que dá um toque pitoresco e muito bonito ao parque. Mais que uma ponte.

Rio Verde



Onze da manha e horas de fazer a nova excursao: "Great Avenue Tour". Uma viagem 4 horas, perto de 6 km sob a terra. As expectativas eram altas e garanto, nao foram defraudadas, quanto muito, superadas. 4 horas a caminhar, por túneis das mais diversas formas e feitios, acabando numa sala com estalactites e estalagmites.

Entrada Carmichael

Túnel

Mais uma assinatura antiga... uma dedicatória ao escravo guia da excursao

Hora de almoço... e adivinhem? Havia um bar/restaurante perto de 100 metros debaixo de terra... vá lá, nao era um MAcDonals!


Túnel no "Grand Canyon" - paredes estreitas, altas e sinuosas... o solo aqui é em camadas, e dependendo de cada uma, teriam sido mais ou menos gastas, nao sendo a parede lisa e constante

Ainda no Grand Canyon

Uma fotografia famosa, numa das paragens... notam a forma do "fantasma"?

Túnel

Frozen niagara

Mais estalactites e estalagmites...

Bonito, mas continuo a pensar que as nossas grutas de Mira d'Aire sao bem mais bonitas

Passadas as 4 horas, lá saímos à superfície. No final Para aproveitar o que restava de dia, e já que tínhamos feito uma viagem tao grande, decidimos ir andar. Haviam uns quantos trilhos à volta do centro de visitantes, relativamente curtos, e lá nos lançámos à descoberta.






Rio Verde

Ponte sobre o Rio Styx


"Nascente" do Rio Styx (rio subterrâneo)




Nascente de outro rio subterrâneo



Se a partir do 3º km da excursao já coxeava, devido a um mal jeito que dei no joelho no ginásio, há umas semana, no final do passeio já só queria arrancar o joelho à dentada, tais eram as dores. No entanto, valeu a pena. Valeu a pena ter conduzido 12 horas, ter dormido pouco e mal. A gruta é espectacular, e merece sem dúvida uma visita. Talvez para o ano volte, há excursoes que nao fiz e passeios que nao dei...