Que os Americanos sao um povo desenrascado, já eu sabia. Na falta de petróleo lá desencantam umas armas químicas no Iraque, na sua (in)capacidade de gerir os seus problemas, inventam um eixo do mal. Mas nem só em coisas grandes e à escala global esta capacidade se manifesta.
Um hábito que aos nossos olhos, pelo menos dos povos latinos, pois os nórdicos nao conheço com tal pormenor, é um imenso mercado da segunda mao, que se manifesta nao só pelas famosas "garage sales" (como nos Simpsons, em que uma rua/comunidade decide em certo dia por à venda todos os trastes que encontram, chegando mesmo a meter anúncios nos jornais e filas à porta dessas mesmas garagens a partir das 7 da manha), por vários tipos de lojas em segunda mao, e, sobretudo quando se mudam e nao estao para se chatear muito, meterem as mobílias perto (e nao dentro) dos contentores do lixo. Assim, todo aquele que vê algo interessante só tem que se aproximar e agarrar. Mas até nisto há que ser rápido, pois pouco tempo depois de serem colocados, e sobretudo se forem coisas boas, pura e simplesmente voam.
Como para além do meu trabalho, se pretende que me imiscua um pouco na cultura americana, também eu tive a "possibilidade" de participar nesse costume. Domingo, 10 da noite, toca o telefone. Atendo: "Nuno, como estás? (isto foi dito em castelhano, mas para facilidade passo a traduzir :)) Sabes porque te telefono? Acabam e meter aqui à porta de casa umas mobílias, que estao óptimas. Devias cá vir ver.". E lá vai o Nuno (para quem nao reconhece tal personagem, sou eu, aqui conhecem-me por Nuno), de noite, a maldizer a vida, pois fazia um frio de rachar, a ver que material tinha chegado. Bem, de tudo o que lá estava, acabei por trazer uma mesa para o computador. Confesso que foi bastante constrangedor, chegar, olhar, mexer, a ver se as coisas se aguentavam de pé, agarrar e ir-me embora com uma mesa debaixo do braço. Foi mesmo muito estranho. Mas... nos dias seguintes comecei a ver muita gente a fazer o mesmo, o que de certa forma me fez sentir menos mal. Esta sexta feira, de novo, outro telefonema, desta vez por um sofá. Um sofá quase novo disse-me o Sebástian (colega Argentino). Lá fui eu, nesse dia chovia, ver o tal sofá. Era certo, se nao era novo, pouco faltava. Lá o carregámos para minha casa e depois de o ter secado ao longo da noite de sexta e no sábado, gasto uma lata inteira de espuma de limpeza produnda, escovado até me doerem os pulsos e uma boa aspiradela... ganhei um novo sofá :) bonito e cómodo...
Como poderao ver, abaixo seguem duas fotos, datadas, da minha sala. Já começa a parecer uma casa... e para quem já me está a imaginar a carregar uma televisao, cadeiras e lâmpadas pela calada da noite, sinto muito desiludir-vos, mas nao chego a tanto. Os candeeiros roubei-os a uma velhinha, a televisao estava esquecida num carro aberto... :) mentira, entre coisas compradas e emprestadaslá se vai montando a casa. E, brevemente, contarei com mais umas aquisiçoes: mesa e cadeiras para comer. Também aqui, pelo menos no meio em que estou inserido, professores, pós doutorados, estudantes... sempre que se vao embora oferecem/vendem parte daquilo que têm. Estas mobílias virao de um casal argentino que trabalha na universidade e que voltam para a argentina. Conheci-os, e lá fizemos negócio... a verdade é que com um pouco de tempo, relativamente pouco dinheiro e uma mentalidade à americana (porque nao consigo imaginar isto no nosso Portugal), vai-se montando a casa, e metendo-a nao só mais agradável para estar, senao preparada para aqueles que me quiserem visitar :)

04-11-2009

05-18-2009