quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Dia 8 - Bryce Canyon - Capitol Reef - Arches

E como escrevi no post anterior, o dia começou cedo, bem antes do sol surgir no horizonte. As cores em Bryce canyon sao lindas, muito quentes, sendo ao por do sol e ao amanhecer que ficam mais realçadas. Seguindo a sugestao do guia, decidimos ver o nascer do sol desde sunrise point; uma decisao que embora dolorosa no inicio, mostrou ser acertada.

Assim, pouco antes das 5 da manha saímos do conforto dos sacos cama, metemos algo quente em cima e fomos para o miradouro. Chegámos por volta das cinco, e, a essa hora, já lá estavam umas quantas pessoas. E, claro está, a ocupar os melhores sítios, mesmo na extremidade da plataforma. Ainda assim, conseguimos um sítio jeitosinho e, com muito sono, lá esperámos pelo sol. Os azuis tornaram-se violeta, vermelhos e... saiu o sol. As cores ficavam mais fortes pouco a pouco, e dada a orientaçao do "anfiteatro" que se abria a nossos pés, poucas sombras haviam.

Ao fim de pouco mais de meia hora, tinhamos a vista no seu máximo esplendor.





A cara diz tudo...


Uns quantos madrugadores... e adoro o pijama da ruiva ao fundo, o que acham?

E como no dia anterior tinhamos deixado uns quantos sítios por ver, pois estavam muito perto do miradouro, decidimos terminá-los. À excepçao de algumas pessoas que tinham coincidido connosco no miradouro, praticamente nao havia vivalma. Nao deixou de ser agradável poder disfrutar das vistas sem ter gente ao lado, gente a falar..



Vistos todos os pontos que tínhamos decidido ver, já perto das 8 da manha, tempo para voltar ao parque de campismo, tomar o pequeno almoço, desmontar tendas, uma banhoca e de novo à estrada. À saída do parque mais uma cidade de caes da pradaria e mais um miradouro para um último olhar sobre Bryce Canyon.



O próximo destino seria Arches National Park, com uma paragem em Capitol Reef National Park. Basicamente existem duas formas de ir de Bryce até Arches: uma mais rápida, por autoestrada, mas que naos nos permitiria visitar Capitol Reef, e outra bem mais lenta, que até Capitol Reef é considerada uma estrada cénica e depois uma estrada nacional até arches. Claro está, fomos pelo caminho mais longo e demorado. A decisao revelou-se acertada, pois mais do que uma vez me senti em pleno filme de cowboys; as paisagens, a total ausência de gente, um sentimento impressionante.


Capitol Reef National Park. Este parque nunca foi um dos principais destinos, mas, estando de caminho, seria uma pena nao pararmos pelo menos para ver o essencial. E, pelo menos da minha parte, a minha curiosidade ficou aguçada para voltar um dia. Seguramente nao voltarei, mas fica aquele sentimento...


Este é um parque relativamente pequeno, pelo menos no que diz respeito à parte que se pode fazer de carro. Com um jipe, a história teria sido outra. Ao entrar, um rio, no verao com um caudal pequeno, mas rodeado de pomares. Esta área era um ponto de passagem de colonos, onde se reabasteciam de água e de comida na sua viagem rumo a Oeste. Alguns colonos mórmones com olho, decidiram plantas árvores de fruta aqui, algumas hortas e fazer fortuna. O sítio em geral é calmo, mas na época das chuvas, e tendo em conta que a rocha é impermeável, sao comuns as "flash floods", ou inundaçoes relâmpago, que sem mercê nem piedade destroem tudo e todos aqueles que encontram pela frente. Ao longo da estrada, vários pontos de cruzamento com o recorrido das mesmas, com grandes sinais a proibir o estacionamento sempre e o cruze quando chovesse.

Chimney rock


Ao longo do caminho, passámos pelo que seria o centro urbano do parque. até ao momento em que o último habitante abandonou o parque. Uma escola, ferreiro, vários pomares de fruta, nos quais podíamos apanhar fruta, um celeiro... enfim, aprecia que tinhamos parado no tempo.

Fruita

Templo egípcio

Escola


Ao fundo da estrada cénica, sem saída, uma estranha surpresa. Aquelas duas entradas que vêm na fotografia, com grades, foram, há uns anos atrás, depósitos de urânio que um qualquer pato bravo decidiu colocar. Pelos vistos, nao é só em Portugal que existem parolos. Aproximar-se da entrada é ainda hoje perigoso, pois os níveis de radiaçao continuam bastante elevados, nao obstante o parque estar a tentar descontaminar a zona.

Já perto da saída do parque, o primeiro dos murais de petroglifos que iria a ver durante a viagem. Símbolo de habitantes há muito idos do parque, continuam a causar ilusao ao visitantes que perdem uns minutos a percorrer o caminho que leva da

Petroglifos

Mais umas horas de viagem, chatas, chatas chatas, e finalmente chegámos a Moab, a cidade na qual se encontra Arches, nao sem antes ter causado uma vítima mortal no caminho: um esquelo cinzento que decidiu terminar com a sua vida lançando-se sob o meu carro a mais de 120 km/h... Moab embora pequena tem muito que oferecer: é um paraíso para os amantes de modalidades mais radicais e um importantíssimo ponto para aqueles que gostam de bicicleta todo terreno; pelos vistos há alguns trilhos espectaculares. Nao foi desta, talvez noutro dia...

Com uma paragem estratégica no parque de campismo, para confirmar as horas de entrada no parque, e fomos para o parque.


Este é outro parque pequeno, cuja principal atracçao sao, como o nome indica, arcos de pedra, de tamanho considerável. Se até aqui tinha os parques visitados eram estratificados de forma horizontal, este aparenta ser estratificado na vertical, com blocos de rocha imensos, impressionantes no seu tamanho.

E se noutros parques o perigo eram ursos e cascavéis, aqui, para além das omnipresentes cascavéis, existem pumas. Ao longo da viagem encontrei inúmeros sinais de aviso, alguns deveras engraçados, que merecerao um post oportunamente.

O parque consiste numa estrada principal, de sul a norte, com algum que outro desvio até pontos considerados de interesse. Como era tarde, decidimos ver apenas aqueles pontos mais perto da estrada, deixando os trilhos para o dia seguinte.

Park avenue



Petrified dunes


Balanced rock

Balanced rock. Nao parece, mas esta rocha é pouco menor que um autocarro




The windows

South window

Double arch

Gardens of Eden

Fiery furnace

Puxando pela imaginaçao, consegue-se ver um diabo e uma "alma penada" na parede... alguém os vê?!

Confesso que neste dia, apesar de tantos arcos e pormenores geológicos interessantes, me senti bastante defraudado. Até aqui, tinha sido sem dúvida alguma o pior parque que tinha visitado. A esperança era de que o segundo dia melhorasse.

Era hora de jantar e procurámos onde jantar: Moab Brewery, mais uma cervejaria local para juntar à colecçao. Um misto de carnes fumadas e grelhadas juntamente com uma boa cerveja artesanal, devolveu-me a boa disposiçao.


Tinha caído a noite e montadas as tendas a companheira de viagem foi descansar. Eu, fiquei na conversa com um casal de Missouri que partilhava o lugar ao lado do nosso. Tempo para tocar umas impressoes, perder mais um sangue para aquelas sangessugas aladas que dao pelo nome de mosquitos e caminha. Sem colchao de ar nem nada, o cansaço era tal (e a relva tao fofa), que nem me dei ao trabalho de o encher... o dia seguinte seria algo mais tranquilo, mas mesmo assim, havia muito que fazer...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Dia 7 - Salt Lake City - Bryce Canyon

Depois de uma noite relativamente tranquila, apenas com meia dúzia de picadelas de mosquito, já com as forças de certa forma recuperadas, decidimo-nos a explorar um pouco da cidade de Salt Lake City.

É uma cidade de tamanho pequeno englobada num estado enorme. O estado de Utah, apesar de ter muito que ver, e bastante bonito, nao é decididamente um sitio onde gostasse de viver. Foi uma cidade fundada por mórmones há nao muito tempo atrás e ainda hoje desempenha um papel extremamente importante na sua religiao.

A nossa primeira paragem seria em Temple Square, um recinto vedado na qual existem umas quantas igrejas e o tabernáculo, outro local de culto. É uma área bonita, relaxante, que apesar de no meio da cidade, convida à meditaçao. E nao, nao descobri nenhuma veia religiosa :)


Tabernáculo

Interior do tabernáculo

Temple

Assembly hall

No meio de fontes, jardins e estátuas, deparámo-nos com uma estátua que visa homenagear aqueles colonos que nao tendo dinheiro para comprar um animal de tiro para puxar a carroça, a puxavam eles mesmos, ao longo de milhas e milhas, por terrenos inóspitos e tudo menos nivelados. Foram homens e mulheres assim que construíram este estado e há que lhes reconhecer o valor.


A próxima paragem seria o capitólio, um edificio que apesar de parecer antigo, tem menos de um século de existência. Nele têm lugar várias actividades do governo, sendo a sede de outras tantas instituiçoes. A grandiosidade do edificio repercute-se tanto por fora como por dentro, nao diferindo de tantos outros edificios que podemos encontrar na europa. A maior diferenã, as pinturas, religiosas na nossa realidade, aqui, mais relacionadas com a criação do estado de Utah.








Depois de visto o essencial, porque apesar de pequena a cidade tem algo mais que oferecer, dirigimo-nos para sul, para aquela que viria a ser a nova paragem: Bryce Canyon. Este parque viria a revelar-se como a maior surpresa de toda a viagem, ocupando um lugar de destaque entre os meus favoritos. No decorrer da planificaçao da viagem, foi posto umas quantas vezes de lado, alternando com Zion, outro parque nacional. No entanto, depois de conversar com algumas pessoas, decidimo-nos a visitá-lo. E sabem? Foi das decisoes mais acertadas que fiz nos últimos tempos.

A maioria da viagem foi feita numa autoestrada. Uma paisagem monótona, pecorrida a grande velocidade, com pouco, ou nada que ver, à excepçao de algo que nunca tinha visto: campos de alfazema.


Saímos da autoestrada e fizemos umas quantas milhas ao longo de campos bastante inóspitos, que me fizeram interrogar como é que as pessoas ali conseguiam viver. Calhaus, umas pequenas árvores e arbustos ressequidos e algumas vacas e cavalos esqueléticos, que mal se tinham em pé. Antes de chegar ao parque, Red Canyon, um pequeno parque escavado pelos elementos, pequenino, mas bastante bonito.




Por fim, já perto das 5 da tarde, chegámos ao parque. Parámos no parque de campismo, montámos as tendas, e enquanto devorávamos o almoço estudávamos avidamente os mapas para decidir o plano de viagem, pois todos os minutos contavam. Este é um parque relativamente facil de fazer: só há uma estrada de perto de 20 milhas; chegando ao fim, volta-se para trás, pois nao tem saída. De um dos lados, florestas, do outro, com inúmeros miradouros, o verdadeiro canyon. Paisagens assombrosas e de tirar a respiraçao a qualquer um.

Fizemos a estrada até ao final, parando em todos os miradouros. Em cada um deles, novas paisagens, mais certezas de que tinhamos feito a escolha certa.







Feita parte da estrada, chegámos a um dos pontos mais importantes do parque, donde partiam vários trilhos de maior ou menor distância que nos permitiriam ver o canyon, descer e caminhar entre tudo aquilo que tinhamos visto. Existem várias dezenas de milhas de trilhos, tendo nós escolhido um considerado bastante duro, mas que nos proporcionaria belas vistas. Começámos a descer, tendo chegado a um ponto em que devido à queda de pedras, o trilho tinha sido encerrado. Optámos assim por nos juntar a outro trilho, maior em distância, mas que seguramente nos deliciaria igual. Dito e feito. Durante perto andámos no fundo do canyon, percorrendo um trilho decididamente belo. Fiz muitas e muitas fotografias; aqui apenas pus uma pequena amostra daquilo que vi: tenho centenas.









Começava o sol a por-se e as cores a acentuar-se, os vermelhos mais intensos, mais quentes. Começávamos também a subir, uma subida longa e dura, que logrou fazer abrir uma bela torneira de sangue desde o meu nariz. Se já íamos a um passo forte, nao queríamos fazer o resto da subida de noite, com o sangue fomos ainda mais rápidos: no parque existem ursos, nao grizzly, mas ainda assim de uma espécie que nao diz que nao a um belo presunto português.




Chegávamos ao fim do nosso dia, um dia longo mas um dia bonito. Fomos para o parque de campismo, acendemos a fogueira e com um belo jantar e umas cervejas frescas disfrutámos da noite, até que o cansaço e a responsabilidade se apoderaram de nós e nos fizeram ir dormir. Afinal, um dos "must see" do parque é o nascer do sol, e este sairia às 5 da manha do dia seguinte...