quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Day 12 - Cordova - Valdez - Seward

Depois de 3 dias em Cordova, era hora de voltar à "civilizaçao". Para trás ficariam recordaçoes bem fortes, como o primeiro glaciar, o primeiro salmao pescado, e uma excelente cozinha,como um magnífico salmao e halibut...

Iríamos apanhar o ferry de volta a whittier, mas desta vez, a viagem nao seria directa. Iríamos até Valdez, uma cidade onde tínhamos planeado ir num dos primeiros esboços da viagem e daí até Whittier. O dia estava bonito, o céu azul a a temperatura agradável. A viagem seria sempre ao longo da costa, saindo do canal que levava a Cordova, entrando no Prince William Sound e voltando a entrar num canal, desta vez para Valdez. Toda esta zona é impressionante. Talvez pela baixa salinidade da água (pelos glaciares), ou por outra razao que desconheço, as árvores descem mesmo até à beira do mar, oferecendo majestosos tapetes verdes que sobem desde o mar até aos picos das omntanhas, cobertos de neve naquelas de maior elevaçao.

Barco de pesca voltando a porto

Cordova





Valdez é um importante porto no alaska, infelizmente nao pelas melhores razoes. O oleoduto que vem desde o árctico acaba aqui, e todos os dias entre 1-2 superpetroleiros vêm aqui abastecer-se. A cidade em si tem pouco para oferecer, pelo menos aquilo que buscávamos. Pequena, muito voltada para o turismo, oferecia vários charters de pesca, assim como kayak ou outro tipo de excursao. Nao fiquei com pena de nao ter passado mais tempo por lá, apenas de nao ter conduzido até lá...











De volta ao barco, entraríamos naquela que seria a última etapa da nossa viagem. A paisagem continuaria a ser a mesma, embora a vida selvagem sofresse uma melhoria: focas, baleias e um grupo de orcas.


Leoes marinhos a apanhar sol numa bóia


Colónia de focas








Whittier
De volta a Whittier, nao passámos mais tempo do que aquele que necessitávamos para encontrar o carro e atravessar de novo o túnel. Neste dia, estávamos algo mais relaxados em termos de tempo e pudémos apreciar parte do glaciar de portage, assim como um rio, que nao tínhamos tido tempo de ver dias antes.





A viagem até Seward deveria ter sido fácil. Autoestrada até à cidade. Curiosamente, foi um dos percursos que mais stress me causou em toda a viagem. Provavelmente já desabituado de altas velocidades, ou se calhar por conduzir um SUV bastante grande, custou-me conduzir até ao final. Nao me lembro de nenhum carro que circulasse por debaixo do limite e, à boa maneira portuguesa, nao me lembro de nenhum carro que mantivesse uma distância segura do meu. Finalmente, ao fim de mais uns cabelos brancos, chegámos à cidade.

A cidade em si nao tem muito que se lhe diga. Foi reconstruída depois do terremoto a ter quase totalmente aniquilado. Junto ao mar, ainda se encontram vestígios de edíficios antigos que teimam em nao desaparecer, relembrando a constante luta entre homem e natureza. A cidade em si é pequena, com uma grande área portuária para dar suporte aos muitos cruzeiros que ali páram. Afinal, Seward é a porta para o parque nacional de Kenai Fjords.




Depois de um jantar que consistiu em pasta instantânea, fomos dar um passeio pela cidade. Ao longo da praia procurámos vidro polido pelo mar e, encontrei um prego anterior ao terremoto (mais tarde veria pregos iguais ser vendidos em lojas) que trouxe comigo e hoje adorna uma das minhas estantes. Fomos dormir cedo, estávamos cansados e no dia a seguir iríamos fazer uma viagem de perto de 9 horas de barco, num cruzeiro através do parque...


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Day 11 - Cordova

Depois da chuva quase contínua do dia anterior, o dia nao amanhecia diferente. A chuva vinha e ia, mas as nuvens continuavam e nao davam mostras de querer desaparecer. O plano para o dia era simples, fazer a estrada até childs glacier, considerado um dos mais belos glaciares do alasca (pelo menos aqueles que se podem aceder facilmente).

O caminho era fácil: apanhar a única estrada com mais de 2 milhas que saía desde cordova e fazê-la até ao fim. Mais simples? Impossível. Embora a distância fosse relativamente curta, a estrada tornar-se-ia enorme, pois estava em muito más condiçoes (se é que por vezes nos perguntávamos se era mesmo uma estrada...).



Quando pensamos em glaciares pensamos em coisas relativamente "pequenas". No entanto, e pelo menos no alaska, os glaciares nao sao mais que braços que descem através de vales desde grandes bancos de gelo que cobrem as montanhas. Embora ao longo da estrada fossem dados nomes diferentes aos diferentes braços, na verdade, todos eles eram o mesmo glaciar. Ao longo da estrada, veríamos uns quantos braços de gelo a descer os vales, os quais, invariavelmente, terminam num grande rio glaciar. 

Toda a zona que fizemos faz parte do chamado delta do rio "copper". O nome nao sei donde veio, provavelmente das enormes jazidas do minério várias milhas a norte. Mas a importância desde delta nao se fica pelos minerais. É a "casa" do considerado melhor salmao do mundo, o salmao de copper river. É um salmao muito gordo, vermelho, que faz as delícias dos apreciadores mas a miséria das suas carteiras. É também uma importante zona de nidificaçao de várias aves, havendo ao longo da estrada alguns pontos de observaçao.










A primeira paragem foi num pequeno "parque", em honra de um ornitólogo da regiao. O parque nao é um verdadeiro parque, mas um conjunto de passadeiras ao nível do solo ou mais elevados que permitem ver diferentes habitats e, com sorte, bastante vida selvagem. Todo o terreno à volta era bastante húmido e sair das passadeiras, para além de proibido, era a garantia de uma meia molhada...



















Milha a milha íamo-nos aproximando do glaciar. Ao fundo já se via parte do campo de gelo e onde ele descia. Ao nosso lado, o rio corria, águas turvas, cinzentas, cheias de sedimento. O céu começava também ele a dar sinais de vida, começando com pequenas zonas onde se via azul, que iam aumentando com o passar do tempo...





Virámos na direcçao indicada pela placa e, poucos segundos depois, surpresa das surpresas: de uma cor azul impressionante, surgia o glaciar sobre as árvores... era o primeiro glaciar que via desde perto e, jamais esquecerei a sensaçao. Tinha lido que os glaciares têm tendência a reflectir apenas a cor azul, e que a mesma é impressionante. Mas, ler é uma coisa, ver é outra. Nao há palavras que façam jus à cor, à grandiosidade que aquele glaciar possuia...


Parámos o carro e perdemo-nos a apreciar o glaciar. Os glaciares nao sao estáticos, movem-se, muito, muito lentamente. Mas, como sao sólidos, formam brechas para se poderem mover. E sempre que uma brecha se abre, ouve-se como um trovao... ali, frente ao glaciar, parecia que ocorria uma batalha secreta com salvas de artilharia. E, mais raramente, pequenos, ou grandes, pedaços de gelo caíam das alturas e precipitavam-se no rio...















Depois do glaciar, cruzámos a ponte do milhao de dólares. Esta ponte foi seriamente danificada pelo terremoto e, chegaram à conclusao, que seria mais barato repará-la que contruir uma nova. Assim, ao atravessar a ponte, parece que atravessamos duas pontes diferentes, unidas por um remendo... do outro lado, pouco havia senao uam vista diferente sobre o glaciar e, ao longe, mais dois ou três glaciares. A estarada nao acabava, mas tornava-se um caminho de terra batida que continuava por algumas milhas. Nao a fizémos e voltámos para Cordova. O dia estava mais bonito e com cores diferentes; parecia que percorriamos uma nova estrada, totalmente diferente da que tínhamos feito horas antes...

















Em cordova fomos dar um passeio pelo porto e pela cidade. O porto era bastante pitoresco e ao longo da cidade, várias indicaçoes da importância que o salmao tem para a gente daquelas bandas...















Depois de jantar, fomos até ao restaurante da noite anterior beber uma cerveja (fiquei viciado em amber ale...) e apreciar as vistas. Embora nao houvesse um verdadeiro por do sol, os violetas e cor de rosa tingiram o céu e todo o porto e as ilhas ganharam uma tonalidade bem bonita.





Depois de umas horas bem passadas na esplanada, fomos para casa. No dia seguinte iríamos apanhar o ferry para ir para seward, com uma paragem por valdez. As nossas futuras aventuras deixariam terra e passariam a desenrolar-se no mar...