O dia amanheceu chuvoso. E quando digo amanheceu digo-o em termos de horas, pois tao a norte, noite é um luxo que nao existe no verao. Os planos para o dia eram simples: voltar a Fairbanks onde iríamos passar a seguintes duas noites antes de ir para Sul. Pequeno almoço tomado e tendas desmontadas fizemo-nos à estrada. A chuva e a lama que cobriam a estrada nao convidavam a grandes aventuras (pelo menos naquelas partes sem asfalto...).
| À saída do parque de campismo |
| Cotton grass |
As horas acumulavam-se, as milhas acumulavam-se e embora tivessemos feito a estrada nos dias anteriores, a ausência de sol e a cobertura de nuvens davam um ar totalmente distinto daquele que tínhamos visto anteriormente. A pipeline continuava a acompanhar-nos, fiel amiga, e pouco a pouco a paisagem começava a mudar. Voltávamos à zona de montanhas e sobretudo, à zona de árvores. Numa recta, vimos, ao fundo, algo a mover-se num dos lados da estrada. Quando lá chegámos vimos uma raposa, bem bonita, ali a poucos metros de nós. Uma corrida às câmaras, e quando me proponho a pressionar o botao... ela foge. Acabei por fazer apenas uma foto fugaz da raposa, mas tinha sido a nossa primeira raposa no norte.
Mais algumas milhas e chegávamos à impressionante Atigun Pass. No dia anterior tinhamos feito a mesma estrada com sol. Um sol que exacerbava as cores e tornava o vale-montanha uma paisagem impressionante. Neste dia, o céu cinzento e as cores carregadas tornavam-o também impressionante, mas sobretudo assuatdor. Nalguns pontos parecia que a estrada entrava directamente nas nuvens, tao baixas elas estavam.
Pensávamos que depois de Atigun as nuvens iriam desaprecer. Pelo menos era o que tinha parecido ao longo da nossa viagem, parecia que as nuvens estavam presas na montanha. Erro. Nos próximos 2-3 dias a chuva oupelo menos céus cinzentos seriam uma oresença constante. No Alasca o Verao é provavelmente a estaçao mais chuvosa. Mas também a época do ano em que as temperaturas sao mais agadáveis para viajar.
Ao entrarmos numa zona arborizada, a Maggie de repente grita para parar o carro. Algo confuso parei o carro, para perceber que lhe parecia ter visto um alce. Parei o carro na berma da estrada (algo totalmente desaconselhado) e fomos até ao lago onde lhe parecia ter visto algo. E estava certa. Nao apenas um alce, mas uma fêmea com uma cria que brincava. O alce era daqueles animais que queríamos ver, sim ou sim. Eu, pessoalmente, nunca tinha visto um alce, nem mesmo no jardim zoológico. Seria o primeiro de alguns que veríamos ao longo da viagem, mas seria o primeiro, aquele cuja memória perdurará mais forte.
| Wiseman River |
| Wiseman River |
Pouco antes de chegar à zona de Coldfoot, existe uma pequena aldeia chamada Wiseman. Estánum rio onde há muitos anos foi encontrado ouro e decidimos que poderia ser um sítio pitoresco que visitar. Fizémos um pequeno desvio de um par de milhas e fomos ver o sítio. Nao era muito diferente de qualquer outra adeia. Casas, uma pequena pousada com uma loja de comida e recordaçoes e pouco mais. E um posto dos correios. Sinceramente nao sei o que faz esta gente ao longo do ano. Nao é que haja propriamente muito à volta do sítio...
Depois da paragem em Wiseman, voltámos à estrada. Um atrás do outro sítios que já conhecíamos iam-se repetindo, mas desta vez sob um céu cinzento.
| Wiseman River |
| Coldfoot Station |
| Camiao com carga grande |
| Yukon River Station |
Finalmente, chegámos ao final da estrada. Um alívio. Sentir que o carro deslizava sobre asfalto e que nao tinha que me preocupar em encontrar o trajecto com menos buracos foi como uma bençao. Fomos para Fairbanks, onde uma nova aventura nos esperava: encontrar um parque de campismo. No Alasca os parques de campismo em cidades estao preparados para RVs, nao para tendas. Pelos vistos o uso de tendas é óptimo para locais isolados, longe da povoaçao. Fiquei com essa sensaçao. O primeiro parque de campismo, um desastre. Em cada espaço entrava uma tenda e pouco mais. Parecia um bairro de lata com todos ao monte. O segundo, tinha sido fechado, só encontrámos um recinto vazio. Finalmente o terceiro e último da lista, pelo menos com chuveiro (desde o dia que tínhamos chegado só tinhamos tomado banho no hotel), tinha lugares minimamente decentes. Estava húmido e necessitávamos de um chuveiro, mas a recepçao já estava fechada. Depois de perguntar a umas quantas pessoas, lá encontrámos alguém que nao estivesse bêbado e que nos emprestasse uma chave para os chuveiros (pelos vistos há muitos problemas de alcoolismo no Alasca). Com uma fogueira e um jantar quente no estômago, chegava a hora de dormir. O dia seguint seria tranquilo...
Sem comentários:
Enviar um comentário