sábado, 5 de setembro de 2009

Curiosidades...

Depois de um dia no qual nos despedimos de uma rapariga que esteve conosco no último mês no laboratório e de termos ficado limitados na despedida, achei interessante deixar uma série de notas...

16 anos - podem começar a conduzir
18 anos - podem comprar tabaco
18 anos - podem comprar uma arma
18 anos - podem ter relaões sexuais
18 anos - podem votar
18 anos - podem ir servir, lutar e morrer pelo país
18 anos - nao podem beber... têm que esperar até aos 21 anos

Este povo volta e maiea tem coisas da idade do calhau... aos 18 anos sao suficientemente inteligentes para decidir quem querem que mande neles, para comprar uma arma e andar aos tiros, seja na caça ou num qualquer deserto iraquiano. No entanto, nao podem de forma alguma beber álcool. Quem bebe e quem lhes dá o álcool corre o risco de ir preso e arranjar grandes problemas... Nao podem sequer entrar num bar! Algo hipócrita nao?

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Futebol ou soccer?

Essa é a luta que existe aqui deste lado do oceano. Para eles, futebol é aquilo a que nós chamamos de futebol americano, enquanto que o nosso futebol é chamado de soccer... americanices! Mas a quem vem tudo isto? Esta terça feira vi o meu primeiro jogo de "soccer", um espectáculo um tanto quanto diferente daquilo a que estamos habituados.
O desporto universitário aqui move multidoes. E quando digo aqui, nao me refiro apenas a Notre Dame, senao aos EUA em geral. Nao sei quantas pessoas estariam ontem no "estádio" para ver o jogo Notre Dame-Michigan, mas certamente temos jogos da nossa primeira divisao com uma assistência deste género. E o estádio entre aspas... porque nao consigo chamar áquilo um estádio no verdadeiro sentido da palavra. Ontem foi o primeiro jogo no recinto, num recinto que demorou menos de um ano a ser construído. Ok, sao americanos, trabalham, portanto até seria possível... acaba por ser um estádio com bancada em alumínio, sendo que só tem uma bancada lateral. Nao sei sobre que se apoia o alumínio, mas, isso já diz muita coisa.
Mas voltando ao jogo. Chegámos já o jogo tinha começado, pelo que perdemos os instantes iniciais. Aparentemente, a banda tocou no início... ficará para esta sexta feira, quando for de novo ver um jogo.O jogo em si, nao valeu grande coisa. Ganharam os da casa por 5-0, num resultado que quanto a mim foi exagerado para aquilo que ambas equipas mostraram. Compreendi o porquê dos americanos, a nível de homens, serem uns nabos no futebol. Certo que era futeobl universitário, pelos vistos rege-se por determinadas regras, mas... foi estranho. PAra além de serem jogadores com tijolos em vez de pés, salvo uma ou outra excepçao, falta virilidade no jogo. Se para nós a bola é o objectivo, nao temos medo de por o pé à bola e dar um encosto, eles aqui evitam o contacto, pelo que é fácil passar por eles. Estranho também é ver como (nao) discutem com os árbitros. Vi algo que´achei deveras interessante... nao é o árbitro quem controla o tempo do jogo, há um placard, e fazem incluso a contagem decrescente aos 10 minutos de jogo. E aí o jogo pára, haja ou nao uma jogada em curso. E porque achei interessante? Porque sempre que um jogador está no chao, ou a bola é chutada para longe, o cronómetro pára, pelo que o tempo de jogo útil ganha muito, e nao queimam tempo como os "pseudo"profissionais que vemos na europa. Com esses, 50% de tempo útil acaba por ser um achado. Gostei da ideia e pelo menos esta deveriam importar.
Mas acabou por nao ser o jogo em si o mais interessante de tudo. Fomos 4 pessoas, eu, 2 americanos e um argentino, que, como eu, levava as maos à cabeça sempre que havia alguma azelhice. O interessante acaba por ser a festa que se monta à volta de tudo. Desde a música, a um público que incentiva e nao insulta. À mascote da equipa, um rapaz vestido de duende verde (há uma forte tradiçao irlandesa aqui e a gente de Notre Dame é conhecida como Irish), às cheerleaders (mais uma ideia que deveriam importar :))
Começou o ano académico, e começam os jogos. O nosso cartaozinho de trabalhadores permite-nos assistir à grande maioria dos jogos, excepto futebol americano, basquetebol e hóquei no gelo sem pagar. Esta sexta feira, há planos para ir ver um novo jogo, desta vez futebol feminino. Confesso que estou curioso, sei que as nossas jogadoras sao boas e sei que poderá ser um partido deveras interessante... já contarei

domingo, 30 de agosto de 2009

As festas

Chegou o Inverno a Michiana. Se nao é Inverno, pelo menos um Outono fresco e chuvoso. Ocasionalmente ainda vemos um céu azul, mas ultimamente apresenta-se carregado de tons cinza e com bastante chuva. As tardes na piscina acabaram, assim como os passeios que tanto gostava de dar até às dunas a ver o lago. É tempo de procurar actividades interiores, como ir a museus, antes de que chegue a neve. Aí, para além de bater o dente, pode-se fazer ski e snowboard...
Mas bem, mais um fim de semana que passou e mais um fim de semana que infelizmente nao me permitiu passear. Para além do maldito tempo (como o odeio), ando aflito a tentar acabar o capítulo do livro que me deram para escrever. Nem sabia eu no que me metia quando disse que gostaria de o escrever... mas pelo menos, quando publicado, serei um pai babado :) Desde o fim de semana passado que tento integrar-me um pouco mais neste meio. Fiz um amigo brasileiro, com quem tenho saído, o que para além de me distrair um pouco, me permite conhecer outras pessoas. Já sei que anda por cá outro português, e já falámos a ver se nos conheciamos. Curioso, que num país estrangeiro ficamos tao felizes por ver gente do nosso país, gente que fala a nossa lingua. Pessoas com quem numa situaçao normal provavelmente pouco ou nada falaríamos, mas que tao longe do nosso país nos parecem um tesouro.
Esta sexta feira, depois de umas noites por bares, fui a uma festa numa casa de estudantes. Sim, daquelas que vemos nos filmes de adolescentes americanos. A principal diferença aqui é que grande parte dos intervenientes era algo mais velhas, com alguns professores, pós doutorados e doutorandos. Claro que, também existiam alguns estudantes. Foi uma experiência deveras interessante, pois uma coisa é aquilo que vemos nos filmes, e outra aquilo que efectivamente se passa na realidade. Mas, curiosamente, esta festa em pouco ou nada diferia dos filmes. Uma vivenda de dois andares, sendo que na parte de baixo decorria o grosso da festa. Na sala, despejada de tudo, dançava-se e ouvia-se musica. Alguém muito animado, saltando ou dançando consegui fazer um buraco no precário chao de madeira... na cozinha, copos, garrafas e garrafinhas um pouco por todo o lado. Cerveja principalmente, mas muitos vinhos e licores também. Num anexo ao lado, dentro de um grande contentor cheio de gelo, um barril de cerveja: bastava chegar e servir. Cá fora, no alpendre e no jardim, as pessoas amontoavam-se e falavam... ou nao. No piso superior estavam os quartos e a casa de banho. Nao faltou o casalinho a ir para o quarto (que vi quando fazia fila para entrar na casa de banho) e descer pouco depois, com uma cara de felicidade extrema.
Provavelmente descrito, pouco ou nenhum interesse tem tudo isto. Realmente, acho que é uma experiência que há que viver. Foi engraçada, fez-me ver na realidade aquilo que só tinha visto e imaginado em filmes.

domingo, 23 de agosto de 2009

Regresso às aulas

Nestes últimos dias, o campus tem-se visto de novo invadido pelos estudantes, que voltam ao colégio. Traz-me à memória o verao de há 12 (!) anos, em que nesta altura passava uns belos dias em Pedras d'el Rei, longe de saber as voltas que a minha vida ia dar, e que dentro de poucos dias, saberia os tao ansiados resultados das colocaçoes, que acabariam com a minha ida para Vila Real. Desse verao, ficou muita coisa, algumas pessoas que permanecem comigo até ao dia de hoje, memórias, sonhos.
Mas a ideia era falar da azáfama com que andam as pessoas por aqui. Desde 4ª-5ª feira passada que entregaram aos estudantes as chaves dos apartamentos, pelo que já se podiam mudar. Aqui, pelo menos no primeiro ano, os estudantes, salvo raras excepçoes, têm que residir no campus. Escusado será dizer que muitos acabam mesmo por passar todo o curso nos dormitórios, pois realmente Notre Dame é como uma pequena cidade, onde se pode ter um pouco de tudo. Anda tudo louco, alunos com os pais, sendo que a grande maioria ostenta orgulhosamente t-shirts, polos, qualquer peça de roupa com o nome da universidade. Antigos estudantes que hoje cá têm os filhos, ou gente que nunca teve qualquer tipo de ligaçao com ND, mas que estao felizes por estar numa das melhores universidades americanas.
Todo o campus está cheio de cartazes, dizem-se que o dormitório X, Y ou Z sao os melhores, e porquê. Pelos vistos há uma certa rivalidade entre dormitórios, em que todos se tentam destacar. Desde cartazes banais, a cartazes com dizeres engraçados, há um pouco de tudo. Sei também que fazem festas, e embora tenha curiosidade em ir a uma dessas festas estudantis, nao creio que tenha a possibilidade de o fazer. Só sei é que com este ambiente, dá vontade de voltar a estuar, aqui nos EUA. Acredito que deva ser uma experiência muito interessante, a todos os níveis...
É bom ver de novo o campus com gente, neste último mês pouca gente se via por aqui. É certo que se acaba a tranquilidade, voltam as filas ao Starbucks para tomar o café matinal ou para almoçar. Mas, no fim de contas isto acaba por ser uma universidade, e bonita, pelo que é um pena estar tao vazia.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

"Dry Sunday"

Este Domingo, depois de passar toda a tarde enfiado no laboratório, decidi fazer uma paragem no supermercado, de caminho a casa. Necessitava comprar comida e aproveitava para comprar também umas cervejinhas (importadas, pois ainda nao bebi uma cerveja americana digna desse nome). Estando na fila, a rapariga da caixa vira-se para mim e pergunta-me: "Nao és daqui pois nao?". Atónito, olho para ela e lá hle digo que nao. Mais atónito fico quando agarra na minha cerveja e me diz "logo vi", retirando-a para o lado. "It's a dry Sunday" disse-me ela.
Tinha-me esquecido: uma ideia idiota desta gente, é que nao se pode vender alcóol, nalguns estados, em supermercados e restaurantes. Bem, nalguns, pois aqueles que pagam uma taxa ficam isentos dessa proibiçao (curioso nao é??). Já me tinham dito que isto existia, mas tinha-me esquecido completamente. De todos modos, decidi fazer uma pesquisa na Internet, e ver exactamente que era essa lei e quais as suas verdadeiras motivaçoes (religiosas).
Descobri que nos EUA existe um tipo de lei que se chama "Blue Law". Segundo a Encyclopaedia Britannica (http://www.britannica.com/EBchecked/topic/70275/blue-law), destinam-se a manter os valores morais da populaçao. Sao leis que começaram a aparecer com os puritanos, no já longínquo século 17, aplicam-se sobretudo aos Domingos e têm uma marcada componente religiosa. Por trás destas boas intençoes, a verdadeira razao destas leis, era permitir a assistência das pessoas aos actos religiosos.
Existem leis diferentes nos vários estados, nalguns já nem sequer existem. Proibem desde a venda de álcool aos domingos, ou pelo menos antes do meio dia à venda/troca de automóveis no mesmo dia. O que a mim me faz uma extrema confusao, num país avançado como pretendem ser os EUA, é que a igreja ainda tenha este tipo de força nas leis, sobretudo leis que datam de há séculos atrás. E que se vejam casos de hipocrisia, como na venda de alcóol, em que basta pagar uma taxa para se poder vender bebidas, ou conduzir cinco minutos e encontrar logo após a fronteira com o Michigan uma loja de bebidas, onde a maioria das matrículas dos carros, nestes dias, é do estado de Indiana...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Onde pára o Verao?!

Bonita terreola esta onde vim parar... Depois de um fim de semana quente e húmido (infelizmente passado a trabalhar), e depois de uma pequena amostra ontem à tarde, eis que esta manha me deparo com tal chuva que em Portugal, resolveria muitos dos problemas de seca... Menos mal que existe uma coisa que se chama Wal Mart que está aberto 24 horas por dia e me possibilitou comprar um chapéu de chuva às 8 da manha. Ainda assim, os meus ténis mudaram de côr (completamente empapados) e tenho as calças ensopadas até aos joelhos :(
Até que a chuva e bem vinda, mas... estamos em pleno Agosto!! Dentro em pouco acaba o Verao e apenas se notou a sua passagem... Em poucos meses teremos neve e temperaturas a rondar os vinte baixo zero. Uma boa maneira de passar 2009: sem férias todo o ano e sem Verao.
Acho que a próxima aventura (a haver) deveria ser numa zona seca e quente, como o deserto do Sahara ou uma coisa do género... Nao imaginam o deprimente que é ter esta ***** de tempo...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

¿Um questao de cores?

Curioso como de sítio para sítio as cores podem ter uma conotaçao diferente (ou talvez nao e eu sempre tenha vivido na ilusao). Já nem sei porque motivo surgiu a conversa, mas acabei a falar do significado das cores com a minha colega de laboratório. Pois aparentemente amarelos, vermelhos e laranjas, sobretudo, mas também azuis e verdes claros, sao consideradas cores gays por aqui. Cores essas que sao aquelas que prefiro vestir, sobretudo depois da minha aventura por terras espanholas, terras de calor e alegria. Pelos vistos, ando a passar a imagem de que sou gay... apesar de segundo ela nao falar como um (um ponto a meu favor). Será por isso que no outro dia uma outra rapariga aqui do laboratório me comentou que eu usava cores muito vivas? Será por isso que rodava o boato pela EUVG que eu era gay?
Nao deixa de ser curioso... e preocupante saber destas coisas. Menos mal que tenho um passado, distante e recente que fala por mim (infelizmente já nao um presente). De todos modos, é estranho e incómodo saber que pelo modo com que um se veste pode ser considerado algo que nao é....