Protecçao, elevada densidade populacional, motivos religiosos, boas vistas... tudo isso sao eventuais respostas à pergunta que a maioria das pessoas faz ao visitar Mesa Verde: porque é que esta gente abandonou as planícies e construiu casas em falésias?! O que é certo é que teorias nao faltam, sao bem abundantes, mas inversamente proporcionais às respostas, que sao nulas.
Este é um parque nacional no Colorado, perto de Cortez. Numa área com vários vales bordeados de elevadas falésias, com uma elevada densidade florestal, encontramos esta pequena jóia, património da humanidade pela UNESCO. O parque divide-se em duas áreas: Mesa Chapin e Mesa Wheterill, sendo a primeira a mais famosa e merecedora de uma visita. Aquela que conseguimos visitar foi Chapin, pois a outra tem um horário bastante mais reduzido e já estava fechada quando lá chegámos a meio da tarde.
 |
| Casas na falésia |
Assim, e tomado o pequeno almoço, metemo-nos a caminho bem cedo, pois embora o parque de campismo fosse no interior do parque, encontrava-se na extremidade oposta ao nosso destino, e as limitaçoes à velocidade dentro do parque sao muitas e escrupulosamente seguidas. Mais, tinhamos comprado bilhetes para o primeiro grupo a visitar Cliff Palace, e se chegássemos tarde, perdíamos a viagem.
 |
| Vale |
Tendo chegado um pouco mais cedo do que o previsto, decidimos fazer a estrada de Chapin Mesa, em forma de círculo, e que nos permitiria ver alguns miradouros e fazer umas fotografias com a luz matinal.
Chegava a hora e a excitaçao já apertava. Fomos até ao ponto de encontro do grupo, um terraço sobre o vale. E qual nao é a nossa surpresa, quando olhando para baixo vemos uma cidade parada no tempo... Do mesmo modo que nao se sabe o que motivou os habitantes a construir estas casas, nao se sabe o que os levou a abandoná-la. Uma vez mais, sao várias as teorias, mas a verdade é que deixaram para trás casas em excelente estado de conservaçao, a maioria das quais apenas necessitou alguns reforços para se manterem da forma que vemos hoje.
 |
| Cliff Palace |
Reunido o grupo, descemos até à comunidade. Para além de ser uma das áreas mais bem conservadas e emblemáticas, é também a maior presente no parque (sao várias dezenas/centenas). A decisao de madrugar e ser o primeiro grupo revelou-se nada mais nada menos que um grande acerto, pois nao havia mais ninguém senao nós. Assim, as fotografias ficaram muito mais despidas de pessoas, embora infelizmente fosse completamente impossível evitá-las em todas elas. E assim, durante perto de uma hora, fomos os únicos habitantes do lugar...
 |
| Cliff Palace |
 |
| 4 andares! |
 |
| Como Indiana Jones ;) |
Uma estrutura muito interessante e comum no parque sao as Kivas. Sao "buracos" no chao, que antigamente eram casas. O tecto seria o chao dos pátios dos níveis superiores e o acesso fazia-se por meio de uma escada. Num espaço reduzido conseguiam assim maximizar todos os centímetros disponíveis. Na fotografia podem ver uma abertura, por onde entrava o ar e uma parede em frente da mesma, um deflector, que evitava o fluxo directo do ar, para além de proteger o fogo, mesmo atrás. E se repararem com atençao, existem um pequeno buraco circular do lado direito: era o ponto de comunicaçao com o submundo, donde os antigos acreditavam ter vindo...
 |
| Pormenor de uma Kiva |
 |
| A saída... |
O próximo ponto seria Balcony house, mais uma pequena maravilha. Segundo os guias, a aventura mais parecida a Indiana Jones. E em breve viria a saber o porquê: uma bela escadaria de acesso à comunidade, em que as nossas costas estavam viradas para uma bela e graciosa (e enorme) queda de vários metros...
Uma vez dentro, e recuperada a calma (ainda nao foi desta que perdi as vertigens), tempo para apreciar o que tinha à frente dos olhos. O ranger explicava um pouco sobre a história, sobre o significado daquilo que víamos, e nós, tentávamos imaginar como teria sido a vida aqui...

Mas as supresas nao ficariam pela escada de subida... antes da saída, um estreito túnel, no qual tive que passar de gatas e de lado. A pessoa detrás de mim, provavelmente um antigo jogador de futebol americano, grande e largo, teve muitas, mas mesmo muitas dificuldades para passar o túnel... eu no meu íntimo ria-me com a situaçao :)
Ao ver a luz ao fim do túnel, pensei em que me escapava... ah pois, mais uma escadaria, com uns degraus esculpidos na rocha, que tínhamos que fazer de lado... quando cheguei finalmente à saída, ia contente pelo que tinha visto, mas contente por nao ter que me meter em mais aventuras com alturas...
Vistos os principais pontos desta estrada, há muitos mais, mas cingi-me aos mais interessantes, fomos para Spruce Tree House, mais uma pequena comunidade bastante bem conservada. Nela, para além de podermos andar entre os edifícios, existiam ainda duas reconstruçoes de kivas, às quais podíamos descer. Sinceramente, nao sei como podia uma família viver ali, o sentimento era no mínimo dos ,mnimos claustrofóbico.
 |
| Spruce Tree House |
 |
| Entrada da Kiva |
 |
| O interior |
Neste ponto, começava um trilho de quase 4 km, que para além de nos permitir ver as vistas de uma outra perspectiva, nos levaria a um grande painel de petroglifos. Claro está que o decidimos fazer, apesar de o sol estar a pique e o trilho ser considerado como muito difícil. Para além de termos visto mais algumas casas em melhor ou pior estado de conservaçao, pudemos ainda ver uma bela amostra da fauna e flora do parque.
 |
| Colibri |
 |
| Lagarto de espinhos |
 |
| Petroglifos |
 |
| Petroglifos |
 |
| Mais um lagarto... espécie desconhecida :( |
Depois de muito andar, subir e descer, chegámos ao fim do trilho, perto do museu e loja de recordaçoes. O museu, espectacular, com vários temas e artefactos índios.
Depois de almoço, fizémos a outra metade que nos faltava fazer de Mesa Chapin. Organziada também em círculo, passa ao longo de vários pontos arqueológicos, podendo-se ver de forma quase cronológica como evoluíram as construçoes desde meras tendas, a torres até aos pueblos, aquelas contruçoes típicas. Uma viagem interessante, que nos fez sentir viajar no tempo.
Depois de uma tentativa falhada de ver o resto do parque, voltámos ao parque de campismo e retirámo-nos cedo. No dia seguinte íamos para o Gran Canyon e a viagem ia ser longa...
Sem comentários:
Enviar um comentário