sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Day 5 - Fairbanks - North Pole - Denali National Park

No nosso quinto dia no Alasca, o plano levar-nos ia ao Pólo Norte (sim, leram bem, Pólo Norte) e para terras do sul, para o Parque National de Denali, onde se encontra a montanha mais alta da América do Norte.

Pólo Norte é uma cidade no Alasca. Infelizmente, nao o verdadeiro Pólo Norte da Terra. E o que nos levou lá? Há muitos anos atrás, quando aquela zona estava em "remodelaçao" administrativa, foi decidido chamar-lhe Pólo Norte, com a esperança de atrair construtores de brinquedos. Nao tiveram muita sorte, mas com o passar dos anos foi construída a casa do Pai Natal. Um residente começou-se a vestir continuamente de Pai Natal, e uma grande atracçao turística nascia. Mas o melhor ainda está para vir, pois a casa do Pai Natal, uma atracçao turística, jamais seria por si só razao para nos desviar da nossa rota. Nos EUA existe a tradiçao das crianças escreverem uma carta ao Pai Natal. E, existe um endereço físico para isso mesmo. Adivinharam? Pólo Norte, Alasca :) Aqui chegam todos os anos inúmeras cartas dos 4 cantos dos EUA e de mais alguns locais do mundo. E pelos vistos há voluntários que se encarregam de responder a elas todas... bonito nao?

Pois nada, chegados ao sítio fomos visitar. É uma grande loja, com um sem número de ornamentos de Natal, para além de outras prendas e items relacionados com o Natal. Há também a possibilidade de enviar cartas/postais desde lá e se se quiser, eles guardam as mesmas até à época de Natal e enviam. Que tal receber uma carta do Pólo Norte no Natal? :) 

Nalgumas paredes encontravam-se algumas cartas. Bastava ler as cartas para saber que tipo de criança as tinha escrito, o quao mimada ou necessitada era. Sugiro que leiam as cartas das fotos que aqui meto. Acho a última fotografia particularmente comovedora...



Apenas pede o pai e roupas bonitas... :(

E como nao podia deixar de ser, que seria a casa do Pai Natal sem o mesmo? Em pleno Julho encontrámos o Pai Natal. Deixei-lhe o meu pedido para este Natal e ele prometeu estudá-lo cuidadosamente...




Visto o Pai Natal e enviados alguns postais (adorava ter escrito mais, mas ninguém se voluntariou para os receber...), tomámos a auto estrada dos parque e dirigimo-nos para Denali. A estrada era aborrecida e, sinceramente, sem muito que ver. Colinas, alguns rios e pouco mais. Acho que a perspectiva de ver um parque fantástico turvou completamente a minha capacidade para apreciar algumas coisas...



Finalmente, Denali. Este é um parque relativamente recente, imenso, onde uma grande porçao de Portugal caberia. Foi estabelecido com o intuito de proteger as cabras das montanhas, que estavam a ser caçadas em excesso para abastacer de proteína a crescente populaçao do Alasca. Inicialmente com o nome McKinley, presidente americano, foi posteriormente renomeado Denali, o nome índigena, para nao ferir susceptibilidades. Apenas uma pequena porçao de americanos continua a usar o primeiro nome, os mais saudosistas e conservadores (maioritariamente os republicanos).


A primeira actividade no parque foi uma visita aos canis e uma demonstraçao de trenó de caes. Denali é enorme e neva muito e desde que foi fundado os caes têm sido uma constante para o seu patrulhamento e mesmo uma ajuda no transporte de carga. Inteligentes, pouco poluentes, sem necessidade de gasolina, relativamente baratos e, em ultima opçao, uma fonte de comida, o parque faz questao de nao só os manter senao de os utilizar. Caes de raça Husky, sao autênticos campeoes naquilo que fazem.








Em Denali nao se pode conduzir. Depois do centro de visitantes há uma só estrada que vai até ao final do parque, 90 milhas adiante. Esta estrada só pode ser feita mediante o sistema de autocarros que o parque oferece (compra-se um bilhete até certo ponto e entre esse ponto e a entrada pode-se entrar e sair dos autocarros à vontade, sempre que haja lugares livres) ou de carro particular até um dos 2 parques de campismo e ficando um mínimo de 3 noites. Como nós nos habilitávamos a isso, pudémos conduzir até ao parque de campismo, em Teklanika.





Como era tarde e tínhamos fome, decidimos jantar antes de ir dar um pequeno passeio à volta do parque. Comida quente, cerveja e marshmallows (nao os como mas sou bom a fazê-los) e sentimo-nos finalmente gente de novo.


Smore: bolacha, chocolate e marshmallow
Como ainda era dia (mas alguma vez vi noite no Alasca?!), insisti que fossemos dar um passeio até ao rio que corria ao lado do parque de campismo. Às vezes olhar para mapas é boa ideia e poupa sustos e experiências no mínimo assustadoras. Num dos extremos do parque um trilho junto a um riacho levava até ao rio. Tomámos esse trilho, pelo meio de uma zona arborizada e ao fim de uns minutos chegámos ao mesmo. Como já disse os rios aqui sao sobretudo rios glaciares, e este nao era excepçao. Assim, fazendo fotografias, fomos saltitando entre braços. A paisagem era bastante bonita, embora o céu estivesse cinzento.



Em dado momento, nao sei porquê (mas felizmente), olhei para um dos lados e vi um urso grizzly descer um trilho até ao rio. A excitaçao foi grande, era o nosso primeiro grizzly no Alasca (no ano anterior tinha-os visto em yellowstone mas nao tao grandes ou perto). Entretanto pareceu que o urso tomava o trilho por onde tínhamos vindo e entrava na floresta. Pareceu a mim até que Maggie e Alda começam a dizer que o urso vinha na nossa direcçao. E vinha. Sossegado, a pensar na sua vida e no que iria jantar, o urso caminhava paralelamente à praia, entre a floresta e os arbustos que a delimitavam. Quando chegou a perto de 50-100 metros de nós, decidiu ir para o rio. E que viu ele? 3 pessoas no seu caminho, a fazer barulho... o animal ficou confuso e olhou para nós fixamente. Nessa altura já tínhamos destravado o gás pimenta, só na eventualidade que ele viesse na nossa direcçao. De repente, começa a correr na nossa direcçao. Num momento que pareceu interminável, deu 3-4 passos na nossa direcçao antes de virar para um dos lados e fugir, assutadíssimo. Este é um comportamento típico nos ursos, mas confesso que naquele momento vi a minha vida a andar para trás. Na semana anterior em Yellowstone um casal tinha sido atacado e o homem morto. Numa fracçao de segundo pensei que fosse ser mais uma estatística e saíram-me mais uns cabelos brancos.


Claro está que depois de tal experiência nao queríamos saber de fotos ou vistas para nada. A andar bem rápido (nao recomendam que se corra), fomos para a direcçao oposta em direcçao ao parque de campismo. No parque a adrenalina baixou e falámos da experiência por que tínhamos passado. Embpra assuatdora, terrorífica, foi algo que jamais irei esquecer. E, sinceramente, estou seguro que o urso estava mais asustado que nós. 


Depois de relaxar um pouco, fui dar um passeio pelo parque de campismo com a Maggie, tendo a Alda decidido ficar pelas tendas. Poucos metros ao lados dos locais das tendas, estava o rio. Tínhamos ido dar uma volta grande, passado por uma experiência daquelas e o rio ali ao lado... Fomos buscar a câmara e voltámos, para fazer mais fotos, desta vez sempre a olhar para os lados.









Feitas as fotos, fomos descansar. Tinha sido um dia cansativo e com muita adrenalina. No dia seguinte começaríamos a nossa exploraçao a fundo do parque...


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Day 4 - Fairbanks - Chena Hot Springs - Fairbanks

E o dia amanhecia molhado. Nao chovia mas estava feio, cinzento, ameaçando chover a qualquer momento. Já algo restabelecidos da grande jornada até ao Dalton, tínhamos reservado o dia para fazer umas compras em Fairbanks e ir relaxar numas fontes de água quente a pouco menos de uma hora de distância.

A primeira paragem foi na Alaskan Company Bowl. Tinha visto um anúncio a esta loja e tinha-lhe achado piada. Cortam toncos de árvore transversalmente e depois escavam neles uma taça, e gravam a laser diversas imagens relacionadas com o Alaska. Talvez para a maioria das pessoas seja algo banal, mas eu gostei e a prova disso sao as duas taças que adornam uma das minhas estantes aqui em casa :)

Gastos alguns dólares na loja, metemo-nos à estrada em direcçao a Chena Hot Springs. O local das termas embora relativamente perto de Fairbanks, só há relativamente pouco tempo (mesmo para os padroes do Alasca) é que teve direito a uma estrada em condiçoes. Esta estrada é também referenciada como o local onde aqueles turistas no Alasca que ainda nao viram alces devem vir para os poder ver. E sabem que mais? É verdade, conseguimos ver uns quantos alces nas aproximadamente 50 milhas que percorremos. Embora numerosos os alces sao animais bastante tímidos, pelo que é extremamente difícil vê-los. Um dos melhores alces que vi nesta viagem, foi nesta estrada. Ao passar numa pequena ponte sobre um riacho, vimos um alce a comer. Estava a menos de 50mde distância e pareceu pouco ou nada incomodado pela nossa presença. Continuou a comer vegetaçao subaquática, nadou e foi "pastar" como se nao houvesse um grande número de humanos a tirar-lhe fotografias.



Ao chegar a Chena, mais um acaso: outro alce que decidiu ir comer no lago dos patos e depois se dedicou a andar pelas ruas do complexo. Extremamente curioso! Chena é um complexo turístico pequeno, onde para além das termas existe um museu de gelo e uma estufa e central eléctrica movida a energia geotérmica. Consideram-se orgulhosamente a estufa mais a Norte do mundo.


A primeira paragem foram as termas. As termas sao de água sulfurosa, pelo que possuem um cheiro bastante característico. E a temperatura é bastante elevada, mas agradável. Outra coisa engraçada é o facto de serem ao ar livre e estar sempre abertas: é possível estar quentinho dentro de água rodeado de uns quandos metros de neve à volta... fiquei com vontade de voltar e experimentar :)



Embora a temperatura nas termas fosse agradável, ao fim de pouco mais de uma hora tornava-se algo incómodo estar na água. É certo que podíamos sair e arrefecer no exterior, mas fazia fresco e chuviscava, pelo que estar em fato de banho do lado de fora também nao era o melhor. Como tinhamos algum tempo até ir fazer a visita do museu de gelo, decidimos fazer uma pequena excursao à central térmica e estufas. No caminho para a central havia um curral com cabras. Foi-nos sugerido que agarrássemos uma mao cheia de biscoitos e os dessemos às cabras. E como cheiravam tao bem, decidi experimentar... cheiravam melhor do que sabiam (se é que se pode dizer que sabiam a algo...).


Provando o biscoito

A central térmica era bastante interessante e aprendemos como graças a um visionário um sítio que até entao saltava de dono em dono, pois invariavelmente se tornava demasiado caro e estes faliam, se tornou mais do que auto-suficiente em energia eléctrica (nao existem linhas de electricidade até Chena, o complexo tem que produzir a sua energia) e até capaz de exportar tecnologia. E nao só resolveu o seu problema de electricidade, como a estufa é mais eficiente e produz mais do que algumas estufas em sítios supostamente melhores para a agricultura. Foi uma prova de que com engenho e vontade, o homem é capaz de coisas impressionantes e ao mesmo tempo amigas do ambiente. Este local era um contraste incrível com o que tinha visto e aprendido em Prudhoe Bay.


Plantas de tomates... medem várias dezenas de metros!

Finalmente, o Museu do Gelo. Nao sei do que estava à espera, mas decididamente fiquei surpreendido com o que vi. Impressionante. É incrível como o gelo pode ser trabalhado e originar obras de arte como as que vi. Nao em vao um dos escultores no hotel foi várias vezes campeao mundial de esculturas no gelo. E nao escreverei mais sobre o museu, deixo-vos disfrutar como eu o fiz...













E o nome original do sítio era hotel e museu do gelo, mas por questoes legais tiveram que o mudar. Hoje, ainda é possível dormir lá dentro nalgumas ocasioes, casar-se (existe uma capela) e até tomar uma bebida: existe um bar. E a bebida típica é um martini num copo escavado no gelo. Torna-se uma experiência única pois o nosso copo é único nomundo, nao há outro como ele.







Notar o gelo opaco e o transparente. Existem gelos diferentes!




Uma lareira. Interessante ;)


Até os candeeiros eram de gelo


O transporte de Inverno

Museu do lado de fora

 



Depois de um dia bem passado porque nao acabá-lo em grande e fazer turismo gastronómico? Existe um restaurante chamado Pumphouse que se caracteriza por servir carne de caça e peixe. Tinhamos rido que tinham alce, e foi o que me fez querer ir lá. Nao tinham alce mas tinham rena...   Embora pessoalmente nao aprecie nem veado nem "elk" (outra espécie de veado aqui nos EUA), tenho que admitir que gostei de rena. Experimentei algo a medo, pois pertence ao mesmo grupo de animais, mas aquele gosto doce que caracteriza a carne dos outros que tinha provado, era inexistente.

E assim, com um bom prato de rena mal passada e com várias amostras de cerveja do Alasca, acabámos o dia em grande :)


Rena