quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Alaska - Day 1 - Fairbanks - Marion Creek Campground

Depois de muitos meses de preparação, eis que o tão desejado dia chegava: íamos para o Alasca, duas semanas de viagem num local bem selvagem. A viagem começou em Chicago, pouco antes das 8 da noite, com uma viagem até Seattle. A viagem até Seattle correu bem, sem grandes sobressaltos mas extremamente chata. No assento do meio, com uma pessoa a dormir de cada lado, passaram as horas. Pouco antes de chegar a Seattle, a primeira grande imagem: o monte Rainier, um vulcão sobranceiro à cidade, enorme de tamanho. A paragem em Seattle decorreu sem muitos incidentes, foi uma escala curta e era de noite, estávamos todos cansados.

Monte Rainier
O segundo voo levar-nos-ia até Fairbanks, a última grande cidade no Norte do Alasca. Os companheiros de viagem eram uma boa amostra daquilo que iríamos encontrar ao longo da viagem: gente simples, muito dura. Mais umas horas foram passando e, embora passasse da meia-noite, ia ficando de dia. Chegávamos à zona onde no verão, não existe noite. Iam ser duas semanas em que as lanternas que tínhamos levado não serviriam para nada mais que fazer peso. Embora a maioria do voo tenha sido sobre o Oceano Pacífico, ao entrar em terra, sobrevoámos zonas de montanhas, neve e glaciares.
 
 



A meio entre o Pacífico e Fairbanks a paisagem mudou, deixando de ser montanha para se algo mais semelhante a planícies, zonas de colinas, com muita vegetação e cursos de água. Chegámos a Fairbanks passava da uma da manha local. E o céu era azul claro... Apanhado o táxi, fomos até ao Hotel para o que seria uma das poucas noites que dormíamos num colchão e teríamos direito a um chuveiro...


De manha, já com uma cara muito mais desperta, fomos buscar o primeiro carro da viagem. O plano para os 3 dias seguintes seria ir até ao Oceano Árctico, molhar o pezinho, ver os campos de petróleo e conduzir muitas, muitas milhas na considerada uma das estradas mais inóspitas da Terra (sim, o nosso planeta redondo e azul...), a famosa Dalton Highway. Antes de começar a viagem, uma paragem no Walmart para comprar comida, uma arca térmica e algo muito importante: spray para ursos.

Eu e Maggie

O carro carregadinho (notar a máquina de café)


As primeiras milhas da estrada fizeram-se bem ,pelo meio de florestas e vales, e acompanhados por uma das maiores construções humanas, a trans-alaska pipeline. É um sistema de tubos que percorre perto de 1300 kms, trazendo petróleo desde os campos do Árctico, em Prudhoe Bay, até Valdez, já no Pacífico. Embora durante os 3 dias seguintes fossemos passar por uma multitude de paisagens, esta construção seria uma constante na paisagem.

Trans-Alaska Pipeline

Pequena loja pouco antes da Dalton

Ao fim de algumas milhas, finalmente chegámos à Dalton Highway. Esta estrada é uma estrada maioritariamente de gravilha, terra batida, que chega até Prudhoe Bay. É considerada uma estrada boa para aventureiros, nao só pelo seu tamanho (670 km para cada lado), mas pelo seu destino, as muitas paisagens que percorre e por se ter que percorrer a estrada junto a camiões de 16 rodas geralmente em excesso de velocidade. É, sobretudo, uma estrada industrial que pouco a pouco tem sido descoberta pelos turistas com mais vontade de fazer algo diferente. E, entre esse grupo, encontravamo-nos nós. Para fazer esta estrada tivemos que recorrer a uma companhia de aluguer especial. Nenhuma das companhias tradicionais permite a condução nesta estrada e, devido às condições da mesma, são necessário bons pneus, um carro resistente e um rádio para contactar com os outros veículos na estrada. As regras nesta estrada são também claras: os camioes sao os donos da estrada. Se querem passar, há que chegar-se para o lado e deixá-los passar. Nesta estrada conduzem bastante rápido e é conveniente, para evitar vidros partidos, abrandar ou mesmo parar sempre que nos cruzamos com um deles.




O rádio




A primeira paragem foi em Yukon Bridge, uma estaçao de serviço (?) sobranceira ao rio Yukon. Aproveitámos para esticar as pernas e para meter gasolina. Pagámos pela mesma o preço mais caro desde que estou aqui (como referência onde vivo estava a 3.78 na mesma data). Embora o Alaska seja dos maiores produtores de petróleo, nele se pode encontrar a gasolina mais cara do país.



Pouco depois da Yukon Bridge, parámos num pequeno bar, de aspecto muito manhoso. Era recomendado por um dos guias que tínhamos como tendo um excelente hamburguer, um dos melhores, senão o melhor do estado. Não acho que fosse espectacular, era bastante bom, mas aquela hora e com a fome que tinha teria comido de tudo.





A pipeline ao longo da estrada

À medida que nos dirigíamos para Norte a vegetação ia mudando. Entrávamos na área do permafrost, em que o solo, meio metro-metro abaixo da superfície se encontra congelado todo o ano. Aqui as árvores têm dificuldade em crescer, diminuindo cada vez mais de tamanho. Chegaríamos a um ponto, no dia seguinte, em que as árvores deixariam totalmente de existir, por muitas, muitas milhas...








Ao fim de muitas horas de viagem, chegámos a um dos pontos altos da viagem, algo que tinha sido posto como condição para a viagem: atravessar o círculo polar árctico. Num pequeno desvio ao lado da estrada existe um sinal a marcar o "evento". Nada de especial, mas tão especial que muita gente conduz a Dalton só para fazer a fotografia aqui. Obviamente, tínhamos que marcar a ocasião e fazer como toda a gente: uma fotografia :)



Grayling Lake






Finalmente, chegámos a Marion Creek Campground, o parque de campismo que viria a ser o nosso local de dormida. Rodeado de montanhas, na tundra, era um parque muito rústico. Mas, ao mesmo tempo, era aquilo que procurávamos no Alaska, o contacto com a natureza, ou não fosse este considerado o estado mais "selvagem" dos 50.




Fireweed, uma flor omnipresente (e saborosa :))



Era hora de comer algo e descansar, que no dia seguinte teríamos muito que conduzir... o primeiro dia tinha sido cansativo, mas já sentíamos na pele a aventura em que nos estávamos a meter...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Detroit Redwings vs Chicago Blackhawks

Quando cheguei aos EUA vinha com ideias muito claras quanto a algumas coisas que queria fazer. Uma delas, era ver um jogo de cada um dos grandes desportos daqui: NBA (basquetebol), NFL (futebol americano), NHL (hóquei no gelo), MLS (futebol) e MLB (basebal). No dia de hoje, já só me falta cumprir com o basebol, tendo já visto pelo menos um jogo de cada um dos principais desportos.

Quando quis ver um jogo de hóquei, e tendo em conta que na altura nao tinha propriamente nenhuma equipa favorita, a escolha foi relativamente fácil. Os Detroit Redwings, vencedores de um sem fim de Stanley Cups, a principal e mais potente equipa de hóquei no gelo. A grande questao era onde ir vê-los? Sao de Detroit, a apenas 3-4 horas de distância daqui. Era uma opçao ir até Detroit, uma cidade que, curiosamente, ocupa o meu imaginário e que sempre quis conhecer, nao sem antes ter sido chamado muitas vezes de maluco pelo meus amigos. Outra opçao seria ir até Chicago, onde jogam os Chicago Blackhawks. Mais uma vez era perto, muito mais perto que Detroit. No fim, decidi ir até Detroit com a Maggie.

O jogo era no final de Janeiro e, como nao podia deixar de ser, nevava. Tendo em conta que o jogo era pouco depois do almoço, saímos cedo e metemo-nos a caminho. Detroit fica na costa Este da península inferior de Michigan, uma área que nao conhecia até à data. Há muitos anos era uma cidade vibrante, muito importante, baseada no êxito da indústria automóvel, basicamente General Motors. Nao só em Detroit, mas toda a sua área metropolitana e cidades à volta. Hoje, lidam com um grande desemprego, criminalidade, uma populaçao maioritariamente negra e com baixo nível de formaçao.

O jogo era na nao menos mítica Joe Louis Arena. Quando a grande maioria das equipas joga em arenas ultramodernas, os adeptos desta recusam-se a modernizar a mesma, com medo que a mística se perca. Assim,nada de assentos super confortáveis, uma arena enorme ou as comodidades do século XXI. Só uma pequena arena, acolhedora, em que o pior assento era um bom assento, o ideal para a prática desportiva.

O jogo em si foi um jogo entretido. Muito rápido, dinâmico, quase sem pausas. É daqueles desportos que dá gosto ver e, se nao fosse tao caro, pensaria em ver vários jogos por época... No final, ganharam os Blackhawks num jogo bastante emocionante.



Parte dos títulos conquistados





Depois do jogo, e tendo em conta que era relativamente cedo, decidimos ir dar uma pequena caminhada ao longo do rio que corre em Detroit. Nao é bem um rio, mais bem um canal de ligaçao entre o lago Erie, a sul e o lago Huron, a norte. Do outro lado, Canadá.









Independentemente daquilo que me digam, Detroit parece ser uma cidade com potencial. Gostei muito do pouco que vi da cidade, embora, provavelmente, se deixar a zona segura talvez nao tenha o mesmo discurso. Ainda assim, já tenho planos para lá voltar. Há bons museus que visitar e está mesmo aqui ao lado...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Chicago Bulls vs Boston Celtics

O dia amanheceu branco e tudo coberto de neve. Só por "mero acaso", este foi o nevao do ano aqui na zona, e um dos maiores de que há registo nas últimas décadas. Estávamos no inverno e isso nao deveria ser nem motivo de surpresa nem motivo de preocupaçao. Mas sim, estávamos preocupados. Com bilhetes na mao há vários meses, víamos o jogo de basquetebol a perigar. Na minha lista de coisas a fazer encontrava-se ver um jogo da NBA. O jogo escolhido foi em Chicago, e opunha os Chicago Bulls aos Boston Celtics. Os últimos tinham sido campeoes no ano anterior, os primeiros chegariam à final da sua divisao neste mesmo ano.






Depois de muito discutir, decidimos meter-nos a caminho. Havia recomendaçoes para que as pessoas nao saíssem de casa, mas, vao lá dizer isso a quatro jovens com fome de ver um jogo :) Além disso, iríamos de autoestrada e estas sao, normalmente, muito bem cuidadas mesmo em situaçoes de forte neve. Com várias horas de antecipaçao, saímos. A neve tinha parado um pouco, mas às poucas milhas de conduçao, voltou a cair com força. Haviam zonas em que era difícil, senao impossível, ver mais do que alguns metros à nossa frente.


Finalmente, lá chegámos a Chicago. Demorámos um pouco mais do que aquilo que seria de esperar, mas chegámos bem e sem demasiados sobressaltos. À entrada da arena, a famosa estátua do mítico Michael Jordan.





Dentro da arena o ambiente era acolhedor. Estava quentinho, muito ao contrário da situaçao a poucos metros  de distância. COmo fomos dos primeiros a chegar, tivémos direito a um "snuggie" da equipa, oferecido por um dos patrocinadores. E em que consiste o famoso snuggie? Imaginem uma daquelas mantas que usamos para nos cobrir quando estamos no sofá, mas com mangas :) uma invençao estranha e nao sei se muito prática, pois hoje, vários meses depois, ainda nao o experimentei (para isso deve contribuir uma bela temperatura de 22-25ºC no Inverno :)) E era tempo para deambular um pouco, e ver como era a arena por dentro. Algumas pessoas famosas, entre as quais o nao menos famoso Scottie Pippen, hoje com mais uns anos e quilinhos a mais :)




Scottie Pippen





Eu e a Maggie















Eu e a "mao" de Michael Jordan... pequenina!!






Será que nos nossos estádios deveriam passar algo semelhante?



Adicionar legenda

E chegava a hora do jogo. Fomos para os nossos lugares e aguardámos com antecipaçao o começo da partida.

Shaquille O'Neal - é enorme!




Acabava a primeira metade e entravam os animadores (e animadoras em campo). O jogo estava renhido, com várias mudanças na equipa que ia ganhando.








Depois de várias demonstraçoes e jogos, o verdadeiro jogo recomeçou. Perto de uma hora depois e com muita animaçao à mistura, os Bulls levaram os Celtics de vencida. Era tempo para voltar a casa numa viagem que roçou a loucura. A neve voltara a cair com força, e conduzir à noite, com a neve a vir de frente, faz-nos sentir como numa das naves da guerra das estrelas, em que cada floco de neve a reflectir luz parece ser uma estrela ou outra nave... O jogo, valeu a pena, foi mais uma experiência que tive e mais uma coisa que pude remover da minha enorme e infindável lista. No entanto, continuo sem ser um fã do basquetebol. O nosso futebol, hóquei no gelo ou futebol americano sao mais do meu gosto...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Indianapolis Colts vs San Diego Chargers

Mais uma tentativa de actualizar o blog... só necessito de tempo e sobretudo cabeça ao final do dia. Já no longínquo 28 de Novembro, decidimos ir até Indianapolis, ver um jogo da NFL, o equivalente à primeira divisao do futebol americano. Em campo, Indianapolis Colts, os derrotados do Super Bowl da época anterior e equipa na qual joga o já mítico Payton Manning, e San Diego Chargers, uma equipa cuja existência desconhecia até ter comprado o bilhete :)

O jogo foi considerado o jogo da semana, e com isso, foi jogado em horário nobre, sobre as 6-7 da tarde. O senao, era ser a mais de 3 horas de distância e no Domingo do fim de semana do Dia de Acçao de Graças. Por volta das 10 da manha, fomos eu e o Ed até ao supermercado comprar "comida" (leia-se porcarias saborosas). As cervejas já estavam compradas, pois como já disse, nesta terra nao se pode comprar álcool aos domingos. Saímos para Indianapolis com a intençao de nos encontrarmos com a Hilary, a minha colega de laboratório. Depois de 3 horas de viagem, chatas, e nas quais se discutiu sobretudo futebol (o nosso), chegámos a Indianapolis, e pouco depois ao estádio, Lucas Oil Stadium. Este é um estádio relativamente novo, com 3 anos, e com uma lotaçao de perto de 70000. Ainda mais interessante é o facto de ser um recinto fechado, dentro do que parece um armazém visto desde o lado de fora, e com uma cobertura amovível.

Chegados ao estádio procurámos onde parar o carro, abrimos a mala, as nossas cadeiras de tailgate, com umas cervejas e frango assado lá nos fomos entretendo. Se na primeira hora poucos éramos na zona, com as horas foram chegando mais pessoas. E à medida que o sol descia, fazia um frio impressionante. E nós, sem aquecimentos ou fogueiras, ao contrário da maioria dos grupos, tiritávamos de frio. A nossa companheira, nao aparecia. Como fazia frio e ela tinha família na cidade, tinha decidido só aparecer em cima do jogo. 

Caiu a noite e fazia ainda mais frio. Um grupo caridoso convidou-nos para nos juntarmos à festa deles. Tinham aquecimento e muita comida. E, quando souberam que éramos de Notre Dame, ainda fomos melhor tratados. Notre Dame é vista com muita estima por todo o país, pouco a pouco vou-me dando conta disso. E à medida que falávamos com mais gente, mais convites recebíamos...

Finalmente chegou a hora do jogo, e dirigimo-nos para o estádio...

Exterior do estádio

Regra geral, os estádios seja do que for, aqui nos EUA, sao muito dirigidos para o conforto e para a família. Por vezes parecem centros comercias, onde existem vários postos de comida, pizza, cachorros quentes, sandes, asas de frango,e bebida.

Interior do Estádio
os nossos lugares nao eram nem de perto dos melhores, mas para o preço que tínhamos pago, a vista era bastante boa. Contudo, a vizinhança nao era a melhor, com uns quantos bêbados e incluso uma luta ao nosso lado. Mas no fim de contas, também isso caracteriza o desporto na américa.


Payton Manning




As equipas aqueceram, tivemos um espectáculo das cheerleaders (jeitosas...) e finalmente o jogo preparava-se para começar. Obviamente, o hino teve que ser cantado... continuo a achar delicioso que em todos os jogos, todos os desportos, o hino seja cantado...








 


Depois de perto de 3 horas de jogo, chegámos ao final. O resultado reflectia uma derrota dos favoritos, os Colts. Sem ser um jogo excitante, foi um jogo divertido e valeu pela experiência. Foi o meu primeiro jogo de uma equipa profissional nos EUA. Faltava ainda futebol, basebol, basquetebol e hóquei no gelo...