segunda-feira, 5 de abril de 2010

Pictured Rocks National Lakeshore

Aproveitando o fim de semana grande (tivemos direito a sexta feira livre), o destino levou-me até ao norte de Michigan, mais propriamente ao Pictured Rocks National Lakeshore, na chamada península superior. Uma terra agreste, pouco propícia à ocupaçao humana, a perto de 750 km da porta de minha casa. As grandes actividades humanas começaram com a exploraçao de peles, tendo passado pela pesca, minérios e madeira. Agora, vive também do turismo, pelas muitas belezas que tem para oferecer.

Tendo em conta os muitos quilómetros que tinhamos que percorrer, decidimos sair às 3 da manha de sexta feira. Uma óptima ideia, pensei eu, sem saber que na noite de quinta feira, um mero café iria resultar num jantar e muita cerveja num dos bares aqui da terra. Assim, com uma hora de sono, foram-me recolher a casa e a aventura começava. Depois de umas quantas paragens, e muitas horas depois, cruzámos a ponte que nos separava da península.

Nada mais cruzar, começaram a notar-se as diferenças. Esta zona é bastante menos povoada e ao mesmo tempo mais arborizada. Ao longo da estrada, sucediam-se as lojas que vendiam peixe fumado e pasties (e já voltarei a este tema mais tarde). A primeira paragem para fotos foi feita pouco depois da ponte, precisamente para a fotografarmos. Antes, houve ainda tempo para ver um alce vestido à americano :)



Esta ponte, para além de unir as duas partes de Michigan, acaba também por ser uma separaçao artificial entre lagos. Pelos vistos, os cinco grandes lagos do norte dos estados unidos, nao sao mais que um enorme lago. Aqui, a ponte separa o que é o lago Michigan, no lado Oeste, do lago Huron, no lado Este. Continuando a conduçao, fomos alternando períodos mesmo juntinho ao lago (uma vista linda e relaxante), com periodos rodeados de vegetaçao. Pelo caminho, várias paragens, uma delas na bonita baía e Epoufette.

Finalmente, à hora de almoço, chegámos ao centro de visitantes do parque, cansados e esfomeados. Surpresa das surpresas... o parque de campismo ao qual tinhamos planeado ir estava com péssimos acessos, sendo assim impossível lá chegarmos com o carro em que íamos. Que tentássemos o parque de campismo na extremidade oposta do parque, que embora fechado poderíamos usar. Para lá chegarmos, que tomássemos um "atalho", utilizando o trilho de Adams, uma estrada de terra batida. A reganhadentes, lá fomos nós. A primeira parte da viagem, até chegarmos ao trilho foi feita bem e depressa. Chegando ao trilho... decresceu e tornou-se mais complicada. Uma rápida análise do mapa, mostrou-nos um outro trilho que poderíamos usar, recortando ainda mais distância à muita que teríamos que fazer. E quase o acabámos. E digo quase, porque depois de muitos buracos e alguma neve residual, a pouquíssimos quilómetros do destino, chegámos a uma rampa enlameada. Nem à primeira, nem à segunda tentativa lográmos subi-la... resultado, voltar para trás e fazer o trilho pelo qual nos tinham mandado ir. Do mal o menos, o carro nao ficou atolado. Podia ter sido pior...


A entrada no parque, por este lado, fazia-se pela cidade de Grand Marais. Aproveitámos para comprar algum gelo e alguma que outra coisa que nos tinhamos esquecido e ainda fazer umas fotografias do porto da cidade. Hoje uma cidade com pouco mais de 400 habitantes, teve em tempos, nos tempos áureos do comércio da madeira, mais de 4000 habitantes. Pouco deve restar da cidade de entao, porque nao vimos muitas casas ou vestígios.


Hurricane River Campground! Chegámos, pensámos nós. Nem reparámos no facto deste ser o Upper e nao o Lower, e de no mapa apenas vir um. Parámos o carro junto à cancela e fomos ver o parque de campismo. Comecei a torcer o nariz... nao me fazia propriamente graça deixarmos o carro na estrada e termos que carregar tudo do e para o carro. Sim, porque no parque existem lobos, ursos, guaxinins e outros animais que adoram a comida dos turistas, assim que tem que ser ou pendurada ou guardada no carro. Almoçámos e tivemos (felizmente) a brilhante ideia de ir tentar localizar o outro parque. Em boa hora o fizémos, pois o acesso estava aberto e podíamos meter o carro mesmo junto ao local da tenda. Começavam os ânimos a levantar-se e decidimos ir caminhar.

Uma das coisas que existem nos parques sao muitos caminhos, de maior ou menor tamanho e dificuldade. Para começar, decidimos visitar o farol de Au Sable, em actividade desde o século 19 (se bem que penso que nao tenha sido o farol actual). Total a percorrer: 4,5 km. Começávamos bem :) Pelo caminho, alternámos entre a praia e o topo das dunas, vendo um pouco de tudo. Ainda alguma neve e algum gelo que teimavam em resistir às temperaturas ligeiramente elevadas. E 3(!) vestígios de naufrágios ali mesmo na praia! Apesar de parecer um lago tranquilo, as tempestades aqui sao violentas e surgem sem muito aviso.













Acabado o primeiro caminho do dia, decidimos ficar pelo acampamento e montar as tendas. Em todo o parque, seríamos apenas 2 grupos, pelo que a noite se avizinhava tranquila. Antes da árdua tarefa de montar as tendas em 5 minutos, fomos ainda ver a foz do rio que dava nome ao acampamento (nao sei se disse que o parque de campismo era mesmo junto ao lago?). Esperto como sempre e procurando o ângulo que me permitisse tirar a melhor fotografia, lá tirei ténis e meias, arregacei as calças e meti-me dentro de água. Fria, fria... gelada. Nao demorou mais que uns míseros segundos até que os meus pés começassem a doer. Acho que tanta neve a derreter deve ser a razao para tao agradáveis temperaturas...


Montadas as tendas, tempo para recolher madeira e fazer a fogueira. Aperitivos diversos, salsichas de bisonte e, claro, cerveja, foram o menu da noite. De barriguinha cheia fomos até à praia. Já me tinha esquecido da sensaçao que é estar numa praia no meio de nenhures e olhar para o céu... nao era uma, nem duas, nem mil estrelas aquelas que iluminavam o céu. Sem grandes cidades à volta, o céu ganhava uma luz própria. Sem nuvens, a vista era fabulosa. Ali, deitado sobre a areia e apreciar a noite adormeci... terá sido resultado de ter dormido tanto? Seguramente. Acordei (ou acordaram-me) pouco depois. Só nao passei ali a noite por medo a que algum sujeito de quatro patas decidisse descer à praia e ver quem era eu.



Sábado, o dia amanheceu bem bonito. Algumas nuvens, as necessárias para dar "aquele" toque às fotografias e muito azul. O primeiro destino foi Munising, na extremidade Oeste do parque. desta vez, apanhámos a estrada boa, sem atalhos de algum tipo para lá chegar. Uma rápida paragem no posto de visitantes, para pedir algumas opinioes e dirigimo-nos para Miners Castle, já dentro do parque.


E o que é Miners Castle? Pois exactamente isto que vêm aqui em baixo. A natureza geológica desta área levou a que se situasse em camadas, cada uma de consistência diferente. A acçao dos elementos, nao fez mais do que esculpir a seu bel-prazer o que lhe davam. O resultado, sao formaçoes geológicas bastante interessantes. Para além do que se via fora de água, a própria água chamava a atençao. Límpida, cristalina e cor tantas tonalidades.... nao pensei encontrar este tipo de efeito num lago!





Detalhe de Miners Castle

Cascatas de Bridalveil ao longe

Visto o "Castelo", descemos até à praia. Uma praia bem bonita, à semelhança de tantas outras nos lagos. Ainda na praia, a foz do Miners River.


E como aqui o que mais abundam sao as cascatas, fomos até às mais importantes que se podem encontrar neste rio: Miners Falls. Uma caminhada de perto de 2 km, com muitas escadas à mistura, levou-nos até à mesma. Sem ser enorme, o ruído era forte, pela muita neve derretida que descia.


Cogumelos

Como somos gente valente, decidimos fazer o um dos maiores caminhos que se podem fazer no parque: 15 km de pura paisagem. A área a visitar foi a Chapel Basin Area. Começava o céu a escurecer e a ameaçar chuva. Depois de comer alguma coisa, começámos o passeio.

Chapel falls

Aqui já chovia. Nao os aguaceiros esporádicos das previsoes (será que algum dia vao acertar?!) mas sim uma chuva forte e contí
Suponho que os invernos aqui sejam muito rigorosos, em neve, frio e vento. Só assim se explica a quantidade de árvores mortas, caídas e quebradas. Vi muitas, principalmente grande, completamente arrancadas pela raíz!


Chapel rock

Chapel beach... tinha lá ficado se pudesse. Mesmo a chover, frio e molhado, apaixonei-me por esta área. A cor do lago, a envolvência... adorei esta zona.Caminhámos ao longo da praia e depois subimos, caminhando ao longo das ravinas que circundam esta parte do lago. O próximo destino seria Mosquito Beach, uma praia situada a uns quantos quilómetros de Chapel Beach.


A caminhada foi dura e sob chuva intensa. Além disso, íamos (pensávamos nós) a um ritmo forte, pois o percurso era longo e queríamos acabar antes de anoitecer. As imagens, quer do lado do lago, quer do lado de terra eram impressionantes e era impossível ficar impávido e sereno frente a algumas delas. Do lado do lago, paredes verticais, estratificadas, com ou sem neve e com uma água espectacular. Do lado de terra, as mudanças eram constantes e brutais. Desde pinheiros sobre leito de areia até zonas extremamente húmidas, cobertas de musgo e fetos. Parecia que de um momento para o outro mudávamos de planeta.











Finalmente, descemos até ao nível do lago. Antes de Mosquito Beach, uma praia (?) cujo nome nao encontro em mapa nenhum. APra mim, uma das zonas mais interessantes que vi no parque. Uma praia sem areia, composta por imensas camadas de areia fóssil (acho eu), de espessuras completamente díspares.







Vista Mosquito Beach, tempo para nos adentrarmos na floresta e ir até Mosquito Falls, no rio do mesmo nome.


Resultado dos pica-paus


Mosquito Falls


Mosquito Falls: a última paragem antes do parque de estacionamento onde tinhamos deixado o carro. E o ponto onde cometemos o primeiro erro: falámos o caminho e o que deveria ter sido uma caminhada tranquila acabou por ser algo aflitiva, pois a certeza de que estávamos perdidos aumentava com os minutos, os mesmos minutos que o sol usava, pouco a pouco, para descer. Finalmente lá chegámos a uma estrada, que felizmente conhecíamos. Suspiros e de volta ao carro, cansados, doridos e molhados.


Depois de mais uma noite revigorante e com 5 horas de sono em cima, afrontámos o último dia em terras do norte. Fomos até ao miradouro de Log Slide, um miradouro no topo de uma imensa duna de 100 metros de altura. A inclinaçao imensa, tendo em conta que até à margem do lago eram pouco menos de 200 metros. tentei, mas desta vez nao consegui convencer ninguém a descer a duna comigo. O descer, penso eu, nao seria o maior problema, mas sim a extenuante subida. Depois das dunas de Sleeping Bear, já sabia o que esperar.





Perto de Grand Marais, mais uma cascata: Sable Falls. Continuando a ser bonita, já nao surpreendia muito, pois já tinhamos umas quantas em cima.


Mais uma hora de viagem, novamente até Munising para ver Munising Falls e fazer o Sand Point Marsh Trail, um caminho à volta de um lago interior.





E que tinha este pequeno lago de interessante? Pois ficam duas fotos, a ver se alguém descobre o que era...


Para quem nao chegou lá, os responséveis por essas mordidelas sao os simpáticos mamíferos (que infelizmente nao vimos) que vivem nestas casinhas aqui em baixo: castores. Fiquei mesmo com pena de nao os ver, pois nunca os vi, senao em documentários, e acho que perdi uma oportunidade única.



Tempo para voltar. Ao longo da estrada procurámos um posto de venda de peixe fumado que estivesse aberto; turismo nao sao só paisagens, é também a gastronomia. Comprei peixe (que ainda nao provei) e carne fumada (deliciosa). Uma outra paragem para comprar pasties (muito semelhantes às nossas empadas) e ser abertamente assediado pela "pasteleira", que me disse que a levasse com ela para Portugal quando voltasse, para além de elogiar o meu sorriso. Até aqui tudo bem, se fosse uma pasteleira jovem :)


Cruzada a ponte, uma longa viagem que nos levou de volta a casa. Para trás, o sentimento de um fim de semana muito bem passado, de ter conhecido um sítio especial. Quero lá voltar. Nao sei se voltarei, pois infelizmente é muito longe e ainda há muito que ver e descobrir por aqui. No entanto fica uma nota: é um sítio que vale mesmo a pena ir.

domingo, 28 de março de 2010

Museu de Arte - Chicago

Num dos fins de semana que fui passar a Chicago, fui ver o Museu de Arte. Segundo os entendidos está ao nível daquele que se encontra em Nova Iorque e é um dos bons museus deste nosso mundo. Assim, bem cedo, decidimos ir até ao museu. Contávamos passar apenas algumas horas... como estávamos enganados!

A primeira paragem dentro do museu foi uma colecçao de miniaturas. Literalmente, imaginem-vos a olhar para um quadro, rodeado de uma linda e antiga moldura, mas em vez de ver algo em duas dimensoes, vêm a três. E foi isso que vimos. Tenham em conta que aquilo que vêm encontra-se dentro de uma caixa com nao mais de 30 cm de alto, 5 de largura e profundidade. É difícil imaginar através das fotos, sem uma escala apropriada, mas posso-vos assegurar, sao verdadeiras obras de arte e uma ode à paciência e minuciosidade. Num total, penso que eram perto de 100 (!) "quadros".




O museu em si é enorme. Tem uma série infindável de colecçoes diferentes, desde arte egípcia, grega, muçulmana, africana, oriental, moderna... o certo é que aquelas colecçoes que têm origem quer na europa, áfrica ou ásia nao me cativaram demasiado. Temos muitos e bons museus quer em Portugal quer nos restantes países que cobrem directamente essas temáticas e, de certo modo, satura vê-las na grande maioria dos museus a que se vai.

Uma das secçoes que apreciei particularmente foi a dedicada aos Índios Americanos. Se bem que nao seja a melhor colecçao em terras americanas, permitiu ver quem eles sao. Aquela imagem que nos é vendida como um povo pouco evoluído, mais interessado em tirar os escalpe aos pobres colonos brancos aos quais "cederam de livre vontade" o seu território, é, para mim, totalmente errada. É certo que dos fracos nao reza a história, e que a grande maioria das tribos foi vencida e exterminada. Mas os pormenores da sua arte, os seus intrumentos nao podem de forma alguma ser de um povo bárbaro. Poderiam ser mais fracos, é certo, ter uma ideia diferente do mundo. Nao criaram uma grande civilizaçao, nao fizeram grandes cidades, cultural e científicamente pouco ou nada deram ao actual mundo moderno. Mas... o respeito que por eles tinha foi redobrado.



A foto seguinte é de uma peça pertencente a índios centro-sul americanos. Nao passa de um mero pote, mas as semelhanças com Stewie, da série de desenhos animados Family Guy nao deixa de ser evidente :)



Pormenor de uma fechadura

Pouco a pouco, secçao após secçao, chegámos àquela que, quanto a mim, é sem dúvida a melhor parte do museu. Mesmo eu, alguém cujo conhecimento de arte é pouco ou nenhum, reconheci a grande maioria dos quadros aqui expostos. Quadros de pintores que marcaram (e marcam) épocas. Deixo-vos umas quantas fotos de alguns dos quadros que vi.













Resumindo, este é um museu que vale, sem dúvida alguma, a pena ver. É um museu que nao se pode visitar na sua totalidade num dia. É um museu para se visitar pouco a pouco, secçao a secçao. Gostaria de lá voltar. Talvez numa próxima viagem. Mas considero que culturalmente, esta foi das experiências mais fantásticas que tive.